Tem uma geração de brasileiros que está envelhecendo esperando aquele Brasil que nunca chega. Já vimos presidentes entrarem e saírem, partidos se revezarem no poder, promessas de campanha virarem discursos esquecidos e políticos que, antes da eleição, parecem verdadeiros salvadores da pátria. Depois que sentam na cadeira, alguns descobrem que governar é bem mais complicado do que prometer.
O roteiro é quase sempre o mesmo: na campanha, prometem acabar com a corrupção, melhorar a saúde, a educação, a segurança e colocar o país nos trilhos. Depois, a realidade bate à porta, mas parece que ninguém está em casa. Enquanto isso, o cidadão trabalha, paga impostos cada vez mais salgados, enfrenta a burocracia e ainda precisa fazer malabarismo para fechar as contas no fim do mês. Já os nossos representantes parecem ter uma habilidade extraordinária para garantir os próprios privilégios.
E o mais curioso é que, a cada eleição, aparece um novo discurso de esperança. Mudam as bandeiras, os slogans, as alianças e até os inimigos de estimação, mas os velhos problemas continuam firmes e fortes. A corrupção ganha novos capítulos, a máquina pública continua pesada e o contribuinte segue sendo tratado como aquele parente que só é lembrado quando chega a conta do restaurante.
O brasileiro virou especialista em ter esperança e colecionar decepções. Uma verdadeira maratona de promessas, com largada na campanha e chegada no esquecimento. E quando alguém cobra resultados, sempre aparece uma desculpa: a culpa é do governo anterior, da oposição, da economia mundial ou de qualquer outro, menos de quem está no comando.
Não se trata de defender direita, esquerda ou centro. Trata-se de defender o Brasil. Política não é campeonato de futebol, embora tenha muito torcedor que defenda seu político favorito mesmo quando ele faz gol contra. Governante não é ídolo, partido não é religião e político não merece procuração para fazer o que bem entende com o dinheiro público.
O tempo passa, os cabelos ficam brancos, os filhos crescem e os netos chegam. E aquela promessa de um país melhor continua sendo empurrada para a próxima eleição.
No fim das contas, o Brasil não precisa de mais um discurso emocionante, de mais um salvador de palanque ou de mais uma promessa embrulhada para presente. Precisa de vergonha na cara, responsabilidade, competência e resultados.
Porque, convenhamos, já estamos cansados de ouvir que somos o país do futuro. Se esse futuro demorar mais um pouco, vai acabar chegando apenas para nossos bisnetos. E olhe lá!