Com a chegada das temperaturas mais baixas, os consultórios médicos registram um aumento expressivo nos casos de rinite alérgica, sinusite, gripes, resfriados, dores de garganta, tosse e otites. O frio, o ar seco e a tendência de mantermos ambientes fechados criam o cenário perfeito tanto para a propagação de infecções virais quanto para o desencadeamento de crises alérgicas.
Muitas vezes, a semelhança entre os sintomas faz com que as pessoas confundam as patologias, retardando o tratamento correto. O médico otorrinolaringologista Dr. Marcio Freitas, no entanto, explica que pequenas nuances ajudam a identificar cada quadro.
"A rinite alérgica costuma causar espirros frequentes, coceira, coriza clara e nariz entupido, geralmente sem febre. Já o resfriado provoca congestão nasal, mal-estar geral e uma secreção que pode engrossar com o passar dos dias. A sinusite, por sua vez, vai além: caracteriza-se por dor ou pressão na face, secreção mais espessa e uma sensação incômoda de peso na cabeça", detalha o especialista.
O frio e o ressecamento do ar irritam diretamente as mucosas do nariz e da garganta. Como consequência, há um aumento de inflamações, crises alérgicas, episódios de tosse, ardência e até mesmo sangramentos nasais. Para combater esse ressecamento, o Dr. Marcio destaca uma medida simples e eficaz: a lavagem nasal com soro fisiológico. "Ela ajuda a limpar as secreções, reduz os alérgenos em contato com a mucosa e previne a evolução para uma sinusite. No inverno, realizar o procedimento de uma a duas vezes ao dia já traz um excelente benefício protetor", orienta.
O perigo oculto dos sprays descongestionantes
Um dos maiores alertas feitos pelo otorrinolaringologista diz respeito ao uso indiscriminado de sprays descongestionantes nasais, facilmente adquiridos sem receita nas farmácias. Embora ofereçam um alívio imediato ao contraírem os vasos do nariz e desincharem a mucosa, o uso por mais de três a cinco dias seguidos esconde sérios riscos.
"Existe um efeito rebote. O nariz volta a entupir ainda mais e com maior intensidade, levando a pessoa a usar o spray em intervalos cada vez menores. Com o tempo, isso gera uma verdadeira dependência química e física", alerta o Dr. Marcio Freitas. Além da inflamação crônica da mucosa, do ressecamento e de sangramentos, o uso crônico acarreta riscos sistêmicos: "Esses medicamentos podem aumentar a pressão arterial e acelerar os batimentos cardíacos, exigindo cuidado redobrado e contraindicação em hipertensos, cardíacos e idosos. O uso deve ser estritamente de curto prazo e sob orientação médica", afirma.
Quando o "resfriado comum" vira um sinal de alerta?
O especialista ressalta que alguns sintomas não devem ser negligenciados ou tratados apenas com repouso e automedicação. A persistência de certos sinais serve de aviso para a necessidade de uma avaliação médica especializada.
Fique atento aos principais sinais de alerta:
Gerais: febre alta persistente, falta de ar, dor intensa na garganta ou no ouvido, dificuldade para engolir ou sintomas que pioram em vez de melhorar.
No nariz: obstrução nasal prolongada, sinusites frequentes, sangramentos recorrentes, dor ou pressão forte na face e perda do olfato.
Nos ouvidos: dor intensa, sensação de ouvido tampado, saída de secreção, tontura forte ou perda auditiva súbita. "Algumas alterações no ouvido podem deixar sequelas permanentes se não forem tratadas precocemente", adverte o médico.
Na garganta: rouquidão que persiste por mais de duas semanas, sensação constante de irritação e dificuldade crônica para falar ou engolir.
Em crianças, a atenção deve ser redobrada para a respiração feita exclusivamente pela boca, ronco intenso, dificuldade respiratória, chiado no peito e sonolência excessiva. E, de maneira geral, cuidar da saúde das vias aéreas superiores durante o inverno é fundamental para garantir a qualidade de vida e evitar complicações que exijam intervenções mais invasivas. Ao notar sintomas persistentes ou os sinais de alerta mencionados, a consulta com um otorrinolaringologista é o caminho mais seguro.