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Opinião

31.08.2008 – Uma reflexão que permanece atual

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31.08.2008 – Uma reflexão que permanece atual
As parcerias são bem-vindas e fazem parte do futebol moderno. Entretanto, elas devem fortalecer um projeto próprio, jamais substituir a identidade do clube ou da cidade

O momento sempre será oportuno para discutir um novo projeto para o futebol profissional de Jaraguá do Sul. É difícil compreender que uma cidade da importância econômica, industrial e social de Jaraguá do Sul ainda conviva com tantas dificuldades em seu futebol profissional, chegando ao ponto de depender, em determinados momentos, de comissões técnicas e atletas de clubes parceiros para viabilizar suas competições.


As parcerias são bem-vindas e fazem parte do futebol moderno. Entretanto, elas devem fortalecer um projeto próprio, jamais substituir a identidade do clube ou da cidade.


É indispensável reunir lideranças, empresários, desportistas e representantes da comunidade para uma ampla discussão sobre o presente e o futuro do futebol local. É preciso analisar a realidade financeira, os investimentos necessários, estabelecer metas e, a partir desse diálogo, construir um processo democrático, transparente e participativo para a escolha de seus dirigentes, respeitando integralmente o estatuto e a legislação vigente.


O clube necessita de uma diretoria formada por pessoas de reconhecida credibilidade e representatividade na comunidade. Pessoas que inspirem confiança e que, muitas vezes, com um simples telefonema, consigam abrir portas e conquistar novos parceiros. Basta observar os exemplos bem-sucedidos de entidades beneficentes, hospitais e projetos sociais da cidade, que sobrevivem graças ao comprometimento coletivo da sociedade.


Será realmente tão difícil reunir empresas dispostas a contribuir mensalmente, cada uma dentro de sua capacidade, para manter um projeto sólido de futebol? Talvez nem todos desejem assumir a presidência do clube, mas podem participar de um conselho forte, comprometido e alinhado com uma gestão séria. O segredo está em dividir responsabilidades. Quando muitos ajudam um pouco, constrói-se um grande projeto. E nada é mais gratificante para um patrocinador do que sentar-se na arquibancada e dizer com orgulho: "Eu também faço parte desta história."


A transparência é o alicerce de qualquer iniciativa duradoura. Não é necessário contratar grandes estrelas. O futebol sempre valorizou equipes organizadas, comprometidas e financeiramente equilibradas. Salários rigorosamente em dia, pagamentos formalizados, prestação de contas acessível aos associados, patrocinadores e à comunidade, além de uma administração profissional, são atitudes que fortalecem a credibilidade do clube.


Outra alternativa interessante seria permitir que empresas parceiras assumissem diretamente o patrocínio de determinados atletas ou setores do clube, conforme contratos previamente estabelecidos. Dessa forma, parte significativa dos custos seria compartilhada, permitindo que a administração concentrasse seus esforços na estrutura, nas categorias de base, na comissão técnica e no planejamento esportivo.


Também merece atenção a aproximação do torcedor. Programas de sócios, carnês de ingressos, benefícios aos patrocinadores e ações de relacionamento podem não representar, isoladamente, grandes receitas imediatas, mas contribuem para levar público ao estádio. Um estádio cheio fortalece a imagem do clube, valoriza seus patrocinadores, impulsiona a venda de produtos oficiais e cria um ambiente favorável para novos investimentos.


Mais do que recursos financeiros, o futebol precisa de organização, planejamento, união e confiança. Jaraguá do Sul sempre demonstrou que sabe apoiar projetos sérios e transparentes. Quando a comunidade acredita na gestão e percebe responsabilidade na aplicação dos recursos, o apoio naturalmente acontece.


Passados quase vinte anos desde que estas palavras foram escritas, permanece a mesma convicção: o futebol de uma cidade forte não pode depender apenas da paixão de poucos. Precisa da participação de muitos, da união de lideranças e da construção de um projeto sólido, permanente e coletivo. Afinal, clubes passam por dificuldades, dirigentes se sucedem, mas o patrimônio esportivo de uma cidade deve permanecer vivo para as futuras gerações.


Isso, infelizmente, demonstra que diversos problemas estruturais do futebol local continuam sem solução definitiva.


"O tempo passou. Os dirigentes mudaram, os campeonatos terminaram, os jogadores seguiram seus caminhos. Mas a pergunta escrita em 2008 continua esperando uma resposta: quando Jaraguá do Sul decidirá construir, de forma definitiva, um projeto à altura de sua grandeza?"


Há uma frase do historiador Eduardo Galeano que diz:


"A história nunca diz adeus. A história diz: até logo."


29/07/2026 – Rogério Lauro Tomazelli.

Redação Revista Nossa

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