O dia de Elisa inicia às 5h30, antes dos compromissos da escola, das reuniões, da rotina com a família e das decisões que atravessam as empresas. Antes existe um momento reservado para organizar o pensamento e preparar o corpo para mais um dia de responsabilidade.
A rotina cedo não aparece como pose. Para Elisa, disciplina é uma forma de viver. Quem convive com ela percebe rápido: existe intensidade, muita cobrança, cuidado com o que constrói e uma energia de quem ainda olha para o futuro como oportunidade de crescimento.
Fundadora dos Colégios Coruja Grant e as unidades do Corujinha, Elisa é hoje uma das empresárias da educação mais expressivas do estado. Sua trajetória começou muito antes de empreender com educação. Aos 16 anos, ela montou um serviço de telemensagens, depois, trabalhou na Malwee, cursou Direito na Furb e sustentou uma rotina exigente, acordando de madrugada, trabalhando, estudando e voltando para casa perto da meia-noite.

“Eu sempre fui muito prática. Quando eu entendo que algo precisa ser feito, eu faço. Depois eu ajusto, melhoro e sigo.”
Decisão e coragem que mudaram o futuro
Aos 22 anos, Elisa tomou uma das decisões mais importantes da sua vida. Pediu aos pais a casa simples da família para iniciar seu próprio negócio. Ali nasceu a Corujinha.
A cena poderia parecer improvável para muita gente. Para ela, parecia necessária. Havia pouco recurso, uma estrutura inicial simples e uma responsabilidade enorme para alguém tão jovem. Mesmo assim, Elisa tratou aquele começo com seriedade desde o primeiro dia.
Os primeiros anos exigiram tudo. Elisa estudava, atendia famílias, acompanhava a operação, pensava na proposta pedagógica, cuidava da equipe e resolvia problemas que apareciam sem aviso. A escola cresceu porque havia dedicação, trabalho duro e muita disciplina.
“Eu não esperei estar pronta. Eu fui ficando pronta enquanto fazia.”
A frase resume uma das características mais fortes de Elisa: ela construiu sua experiência com educação dentro da rotina da escola. Olhando aluno, ouvindo família, formando equipe, organizando caixa, negociando obra e tomando decisões no dia a dia da empresa.
A Corujinha completou 20 anos de história em 2026. O que começou como uma escolha ousada aos 22 anos de idade se tornou a base para a Coruja Grant School, projeto que amplificou a visão de educação construída ao longo de duas décadas.

O bastidor da construção
Toda escola carrega uma imagem afetiva. Portões se abrindo, crianças chegando, famílias confiando, professores conduzindo a rotina. Mas existe um outro lado, menos visível, que define se uma instituição educacional consegue permanecer forte ao longo dos anos.
Elisa conhece esse lado por dentro.
Por trás do que é visto nos colégios, existe: folha de pagamento, contratação, atendimento, planejamento, ampliação, conversa difícil e decisão financeira. Existe também uma liderança que aprendeu a olhar a escola como organismo vivo e como empresa ao mesmo tempo.
Essa talvez seja uma das grandes diferenças da sua trajetória. Elisa sempre entendeu que educação precisa de proposta pedagógica, gestão, cultura interna, reputação e capacidade de sustentar o que promete.
“Empreender em educação exige amor pelo que se faz. Mas amor, apenas, não motiva equipe, não paga conta, não resolve problema e não mantém uma escola crescendo.”

A fala tem o tom direto de Elisa. Ela valoriza a missão educacional, mas não romantiza a operação. Para ela, cuidar de uma escola exige maturidade empresarial. É preciso saber o que se quer construir, formar pessoas, criar padrão, tomar decisão e acompanhar de perto aquilo que está sendo entregue.
Esse bastidor também explica por que a trajetória dela tem peso. A empresária que hoje lidera uma estrutura educacional milionária já esteve nos detalhes mais concretos da operação. Acompanhou o início, as ampliações, as mudanças de fase e os desafios de transformar uma escola em grupo. Sua autoridade vem de ter colocado a mão na construção.
A mulher incrível além das empresas
Falar sobre Elisa apenas pela empresa seria contar uma parte pequena da história.
Ela é mãe de quatro filhos: Kevin, Rian, Thales e Ayla. Ao lado do marido, o advogado Luiz Fernando Franzner, construiu uma família que também participa da sua forma de enxergar o mundo. Kevin cursa Medicina na Universidade Federal de Pelotas. Rian, ainda jovem, já atua como assistente esportivo no Coruja Grant. Thales e Ayla crescem em uma casa onde responsabilidade e autonomia aparecem na rotina.
Para Elisa, família é base. E, ao mesmo tempo, é uma das partes mais exigentes da vida real. Ela prefere falar de prioridade.
“Eu não acredito em equilíbrio perfeito. Tem fase em que a vida pede mais de um lado. O importante é saber o que não pode ser abandonado.”
Essa sinceridade aproxima Elisa da vida comum, mesmo diante de uma trajetória incomum. Existe a empresária firme, que cobra resultado e olha para o futuro com ambição. Existe também a mãe que acompanha os filhos, a filha que reconhece a importância dos pais e a irmã que construiu parte da empresa ao lado da família.
A mãe, Lorecy Massaia, está desde o início da Corujinha e tornou-se indispensável hoje dentro da escola, conhecida por muitos como a “Vó da Corujinha”. O pai, Olvidio Massaia, representa uma das primeiras grandes apostas dessa história: aceitar que a casa da família se tornasse o ponto de partida da primeira escola. O irmão, Leandro Massaia, passou a integrar a operação como sócio, fortalecendo a gestão ao longo dos anos.
A trajetória de Elisa tem muito de iniciativa pessoal, mas também tem raiz familiar. Talvez por isso sua visão de negócio carregue uma camada tão concreta: ela sabe que uma empresa cresce quando a ambição encontra gente disposta a sustentar o processo.

A visão de Elisa sobre educação
Depois de duas décadas construindo escolas, Elisa desenvolveu uma leitura própria sobre educação. Para ela, uma instituição educacional precisa formar alunos para a vida prática, para a convivência, para o pensamento e para a responsabilidade.
Essa visão aparece com força no Coruja Grant School. O projeto amplia o caminho iniciado pela Corujinha e leva a proposta educacional para uma nova fase. A escola une currículo estruturado, programa bilíngue, experiências ao ar livre, prática esportiva e atividades que desenvolvem autonomia. No centro dessa proposta está uma pergunta que Elisa costuma carregar: que tipo de criança estamos formando para o mundo que vem pela frente?
“Uma escola precisa formar uma criança capaz de pensar, conviver, decidir e assumir responsabilidades.”
A frase traduz o olhar dela sobre o papel das escolas privadas hoje. O mundo mudou. As famílias mudaram. As crianças crescem cercadas por tecnologia, excesso de estímulo e pouca prática de autonomia. Nesse cenário, Elisa acredita que a escola precisa ser mais intencional. Precisa entender o que realmente contribui para a formação de uma pessoa.
Por isso, sua visão sobre educação combina formação acadêmica e vida real. Culinária, esportes, reparos, convivência com a natureza, empreendedorismo, comunicação e liberdade consciente entram como parte de uma proposta mais ampla. Para Elisa, o aluno precisa aprender a lidar com o mundo, não apenas com uma prova.
Essa visão também revela sua mentalidade empresarial. Ela entende que escolas fortes precisam de clareza de proposta, equipe bem conduzida, reputação consistente e gestão à altura do que entregam.
“Uma escola boa demais para parecer comum precisa aprender a mostrar seu valor com clareza.”
É uma frase que poderia resumir a forma como Elisa enxerga o setor: educação com alma, método e responsabilidade. Uma instituição precisa acolher, ensinar, organizar e crescer sem perder aquilo que a torna reconhecida pelas famílias.

A relação com Jaraguá do Sul
Jaraguá do Sul é o território onde a história de Elisa ganhou corpo.
A relação de Elisa com Jaraguá tem uma força silenciosa. Ela aparece nos anos de convivência com famílias, no crescimento das equipes, na confiança construída com a comunidade e na decisão de continuar investindo em educação dentro da cidade.
“Jaraguá faz parte da minha história. Eu construí aqui, criei meus filhos aqui e vi muitas famílias crescerem junto com a escola.”
A empresa faz parte da paisagem humana da cidade. Está ligada à infância de muitas crianças, ao cotidiano de famílias e à formação de uma geração que passou pelas suas salas, pátios e projetos.
Legado
A trajetória de Elisa Massaia Franzner ainda está em movimento. Talvez seja justamente isso que a torne tão interessante. Ela já construiu uma empresa educacional milionária, consolidou uma marca respeitada na região e formou uma família que participa, de diferentes formas, daquilo que acredita. Mesmo assim, fala do futuro com a energia de quem ainda tem muito a realizar.
O legado de Elisa está no padrão que ela criou para si mesma. Na forma como tomou decisões cedo. Na maneira como envolveu a família sem perder exigência. No olhar que desenvolveu sobre educação depois de viver o bastidor por tantos anos.
Ela representa um tipo de liderança que não se apoia apenas em carisma. Sua força está na constância, na capacidade de execução, no senso de responsabilidade e na coragem de sustentar escolhas difíceis. O resultado aparece nas escolas, nas famílias atendidas e na marca que segue crescendo em Jaraguá do Sul.
“Eu olho para o que construí com gratidão, não com acomodação. Ainda tem muita coisa para fazer.”
A frase tem a síntese da Elisa de hoje: uma mulher que reconhece o caminho percorrido, mas segue inquieta diante do que ainda pode construir.
Aos poucos, a jovem que abriu uma escola aos 22 anos se tornou uma das empresárias da educação mais relevantes da região. Sua história reúne trabalho, família, gestão e uma convicção muito própria: uma escola pode começar pequena, mas precisa nascer com responsabilidade grande.
E talvez seja esse o ponto que melhor define Elisa Massaia Franzner. Ela construiu uma forma de liderar, educar e permanecer relevante na vida de uma cidade.
