Confesso que estou perdido. Alguém pode me explicar quando foi que a linguiça resolveu fazer curso de etiqueta e entrou para o clube das carnes nobres?
Antigamente, quando o bolso apertava, a solução era simples: "Compra uma linguiça que resolve." Era a rainha do churrasco econômico, companheira da cerveja gelada e do pão francês. Hoje, com o quilo beirando os R$ 35, parece que ela pediu promoção e agora quer ser chamada de "picanha gourmet".
Essa história me fez lembrar do grande amigo Caça Pavanello, que sempre brincava quando eu assumia a churrasqueira: "Moa, coloca linguiça e pão para o povo primeiro, senão a carne acaba antes do tempo!" Naquela época era só uma piada para segurar a fome da turma. Hoje, virou estratégia de sobrevivência. Só tem um detalhe: do jeito que a linguiça está cara, talvez seja melhor servir só o pão mesmo.
A hashtag #LinguiçaVirouLuxo tomou conta das redes sociais, e não é por acaso. O brasileiro já estava fazendo malabarismo para comprar carne. Agora, vai precisar pesquisar taxa de juros antes de passar no açougue.
Se continuar assim, o açougueiro vai perguntar: "O senhor prefere pagar no débito, crédito ou financiamento em 24 parcelas?" E quem sair com dois quilos de linguiça debaixo do braço vai olhar para os lados como quem acabou de comprar um relógio suíço.
O brasileiro nunca perde o bom humor. Mas convenhamos: quando a linguiça começa a disputar espaço com a picanha e o churrasco de domingo vira um evento para poucos, a piada já não está na churrasqueira. Está na conta do supermercado.