A apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru segue indefinida na noite desta nesta terça-feira (9), dois dias depois do pleito. Segundo dados da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), até as 21h46 (horário de Brasília), 96,412% das atas haviam sido contabilizadas. Foram processadas 89.438 atas de um total de 92.766.
Com esse percentual apurado, Roberto Sánchez liderava a disputa com 50,116% dos votos válidos, enquanto Keiko Fujimori aparecia logo atrás, com 49,884%. A diferença mínima na contagem de votos entre os candidatos mantém a incerteza sobre o resultado final e aumenta a expectativa em torno das atas ainda pendentes de contabilização.
Os candidatos simbolizam caminhos opostos na política peruana. Keiko herda a influência de um dos sobrenomes mais marcantes do país. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que comandou o Peru nos anos 1990 e posteriormente foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos, ela busca afirmar sua própria liderança e segue como uma das figuras centrais da direita peruana.
Já Sánchez, ligado a setores da esquerda peruana, construiu sua trajetória política com apoio de movimentos que defendem maior participação do Estado na economia e reformas institucionais. Ele também mantém vínculos com grupos ligados ao ex-presidente Pedro Castillo, destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022.
A disputa ocorre em meio a uma das mais profundas crises políticas da história recente do Peru. Nos últimos dez anos, o país teve oito presidentes, reflexo de sucessivos confrontos entre Executivo e Legislativo, denúncias de corrupção e dificuldades para garantir estabilidade institucional.