Com 62 anos de atuação, quase 300 lojas franqueadas e mais de 4 mil pontos de venda multimarcas espalhados pelo Brasil, a Marisol consolidou-se como uma das principais empresas do segmento infantil no país. Responsável por marcas como Lilica Ripilica, Tigor T. Tigre e Lov.it, a companhia sediada em Jaraguá do Sul deixou a Bolsa de Valores em 2012 e enfrentou recentemente um período de maior pressão financeira devido à emissão de debêntures, fator que impactou os resultados de 2025. Com a quitação desses compromissos e a redução da alavancagem, a empresa inicia agora um novo momento, mais focado em expansão e diversificação dos negócios, explicou o CEO Giuliano Donini ao M&C Talks, da Mercado&Consumo.
Dentro dessa estratégia de ampliação de atuação, a Marisol prepara sua entrada no setor de alimentação saudável infantil. Após três anos de pesquisas e desenvolvimento em laboratório, a empresa passará a licenciar fórmulas alimentares voltadas ao público infantil. A produção ficará sob responsabilidade de parceiros especializados, enquanto a companhia atuará como proprietária intelectual das fórmulas. Segundo Donini, o objetivo é posicionar a Marisol como uma plataforma completa voltada ao universo infantil, indo além da moda.
Atualmente, a empresa já possui presença em áreas como materiais escolares, higiene bucal — segmento no qual detém cerca de 15% de participação de mercado — além de ótica, hotelaria e produção de conteúdo audiovisual, incluindo uma série animada distribuída em português, inglês, espanhol e chinês.
A estratégia da companhia é deixar de atuar apenas como fabricante de roupas infantis e se consolidar como uma empresa especializada no mercado infantil como um todo, abrangendo não apenas a criança, mas também os produtos e serviços relacionados ao seu cotidiano.
Outro projeto importante é o SisTex, condomínio industrial criado pela companhia. O modelo já trouxe ganhos operacionais, reduzindo em cerca de 11% o custo de produção de itens básicos, como camisetas brancas. A proposta é diminuir períodos de ociosidade fabril por meio da ocupação do espaço por outras indústrias, que podem produzir para si mesmas ou atender terceiros. Segundo Donini, o conceito não envolve private label, mas sim a formação de um cluster produtivo compartilhado.
A empresa também planeja ampliar em 40% a área física do SisTex, o que poderá elevar a capacidade produtiva em até 7,7 vezes, dependendo da demanda do mercado.
Sobre 2025, Donini classificou o período como desafiador, marcado pela pressão financeira causada pelas debêntures emitidas anteriormente. Com o encerramento dessas obrigações no fim do ano, a companhia afirma entrar em uma nova etapa, agora com estrutura financeira mais equilibrada.
Em relação ao cenário econômico, o executivo destacou que fatores como eleições, juros elevados e Copa do Mundo já estão incorporados ao planejamento estratégico da empresa. Para ele, o principal elemento de imprevisibilidade continua sendo os conflitos geopolíticos globais. Ainda assim, os primeiros meses do ano apresentaram desempenho de vendas ligeiramente acima do esperado. Segundo Donini, um dos maiores desafios segue sendo a distribuição em um país de dimensões continentais como o Brasil, com diferentes realidades culturais e altos custos logísticos.