O crime de Elize Matsunaga transformou uma cobertura de luxo em São Paulo em um desafio de vendas, mesmo com preço abaixo do mercado.
Localizado na Vila Leopoldina, tríplex de 340 metros quadrados enfrenta forte rejeição de compradores e expõe dilema ético no setor imobiliário
O impacto e o estigma do crime de Elize Matsunaga transformaram um imóvel de alto padrão em um dos maiores pesadelos para os corretores da capital paulista.
De acordo com informações da Folha de S. Paulo, anunciada por R$ 2,8 milhões, a cobertura tríplex de 340 metros quadrados, localizada na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, carrega um histórico que impressiona e afasta interessados.
Até porque, foi nesse endereço que o empresário Marcos Matsunaga foi assassinado em maio de 2012.
Há relatos de clientes que visitam o espaço, elogiam a amplitude, a vista panorâmica e a proximidade com o Parque Villa-Lobos, mas desistem imediatamente ao pesquisar o histórico do endereço.
A fim de tentar atrair investidores ou compradores, o imóvel foi colocado à venda por um valor abaixo do praticado no bairro.
Especialistas do setor estimam que, sem o histórico do crime, a cobertura valeria facilmente cerca de R$ 3,5 milhões.

Área e divisões: São 340 metros quadrados de área útil, dispondo de cinco suítes, escada interna de madeira e vidro, além de varanda com guarda-corpo envidraçado;
Área e divisões: São 340 metros quadrados de área útil, dispondo de cinco suítes, escada interna de madeira e vidro, além de varanda com guarda-corpo envidraçado;
Custos fixos: O imóvel possui quatro vagas de garagem, condomínio de aproximadamente R$ 6.000 mensais e IPTU de R$ 19,3 mil anuais.
O caso levanta um debate essencial sobre a atuação dos corretores de imóveis. Enquanto alguns profissionais chegam a receber notificações de visita sem conhecer o passado do edifício, entidades de classe defendem a transparência absoluta para evitar problemas jurídicos graves.

O Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo) orienta estritamente que os profissionais informem previamente os clientes sobre homicídios ou tragédias marcantes ocorridas no local.
Ocultar esse tipo de informação pode ser interpretado judicialmente como omissão de vício oculto, passível de: Processos por danos morais; Anulação do contrato de compra e venda.
Vale destacar que Elize Matsunaga perdeu o direito à propriedade após as decisões judiciais decorrentes do caso.
Condenada em 2016 por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, ela obteve redução de pena pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2019 e, desde 2022, cumpre pena em regime de liberdade condicional.

Atualmente, a administração do patrimônio permanece sob responsabilidade da família do empresário.
Embora o lançamento de produções audiovisuais e documentários mantenha o caso vivo no imaginário popular, gerando curiosidade e buscas na internet.
Vale destacar que cobertura segue disponível no mercado imobiliário, marcada pelo passado de sua história.