A situação da Amaro voltou a chamar atenção. A marca de moda entrou novamente com um pedido de recuperação extrajudicial, agora com cerca de R$ 410 milhões em dívidas. E tem um detalhe que pesa: esta é a segunda tentativa de reorganizar as contas em apenas três anos.
Em março de 2023, a empresa já havia recorrido ao mesmo mecanismo, quando informou débitos de aproximadamente R$ 244,6 milhões com bancos e fornecedores. Ou seja, o passivo atual está cerca de 68% maior.
E os números ajudam a entender o tamanho do problema. O faturamento da empresa despencou de R$ 367 milhões em 2022 para R$ 35 milhões em 2024, uma queda de cerca de 90%.
A Amaro atribui a crise principalmente aos juros altos, à dificuldade de conseguir crédito, ao aumento do custo das dívidas, ao bloqueio de contas por credores e à queda nas vendas. Hoje, a empresa diz estar operando de forma mais enxuta e estabilizada.
A marca ainda mantém 20 lojas físicas, as chamadas Guide Shops, instaladas em shoppings de 11 cidades brasileiras e integradas à operação digital.
Mas a história não termina no tamanho da dívida. O novo processo também virou uma verdadeira queda de braço na Justiça.
Um dos credores, o Banco ABC Brasil, questiona a formação do apoio ao plano de recuperação e levantou suspeitas sobre fundos ligados a um mesmo grupo econômico. Esses veículos concentram cerca de R$ 81,4 milhões em créditos, o equivalente a 29,4% do passivo.
Segundo a administradora judicial, com esses votos o plano chega a 50,34% de aprovação. Sem eles, o apoio cairia para 30,92%, ficando abaixo do mínimo necessário.
Até agora, a administradora disse não ter encontrado provas de fraude, mas afirmou que ainda existem dúvidas sobre a lógica econômica de determinadas operações.
Outro ponto que chama atenção são os descontos propostos aos credores. Algumas dívidas poderiam sofrer deságio de 95% a 99%, com prazo de carência de dois anos e juros de apenas 1% ao ano.
Agora, a Amaro terá de responder aos questionamentos e mostrar à Justiça e aos credores como pretende colocar a casa em ordem novamente.
Nos bastidores, ainda circulam rumores de venda da empresa ou entrada de um novo sócio. Depois de uma primeira renegociação que não resolveu o problema, a pergunta que fica é inevitável: será que desta vez a conta fecha?