A política latino-americana voltou a colocar em pauta uma discussão que também interessa aos brasileiros: afinal, os princípios democráticos valem para todos ou dependem de quem está no poder?
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro passou a questionar a legitimidade da vitória do presidente eleito Abelardo de la Espriella, mesmo após o Conselho Nacional Eleitoral confirmar oficialmente o resultado e observadores internacionais validarem a lisura da eleição. Petro levantou suspeitas de fraude sem apresentar provas públicas e resistiu em reconhecer a vitória do adversário.
A situação chamou a atenção porque lembra debates recentes vividos no Brasil. Após as eleições de 2022, questionamentos ao resultado eleitoral foram duramente criticados por diversos setores da esquerda, que classificaram qualquer tentativa de colocar as urnas sob suspeita como um ataque à democracia e, em alguns casos, como uma tentativa de golpe.
Agora, diante da postura de Gustavo Petro, que é um dos principais nomes da esquerda latino-americana, muita gente pergunta: por que a reação não tem sido a mesma? Para críticos, o silêncio de parte da esquerda brasileira e de lideranças internacionais revela uma diferença de tratamento conforme a posição ideológica de quem ocupa o poder.
É claro que cada processo eleitoral tem suas particularidades, mas a democracia deveria seguir uma regra simples: quem vence nas urnas assume o cargo, e quem perde exerce a oposição dentro das regras do jogo. Quando esse princípio é relativizado por conveniência política, abre-se espaço para a desconfiança e para um debate sobre a coerência de quem diz defender as instituições.
No fim das contas, a discussão vai muito além da Colômbia. Ela levanta uma pergunta que vale para qualquer país: a democracia deve ser defendida apenas quando o resultado agrada ou em qualquer circunstância? É justamente essa coerência que muitos cobram diante dos acontecimentos envolvendo Gustavo Petro e o presidente eleito Abelardo de la Espriella.