A Operação Mensageiro continua produzindo desdobramentos em Santa Catarina. Segundo o Ministério Público, a investigação envolve um esquema de fraudes em licitações, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, relacionado principalmente aos contratos de coleta e destinação de lixo, abastecimento de água e iluminação pública.
Em Jaraguá do Sul, há um aspecto que merece registro. Dieter Janssen foi prefeito entre 2013 e 2016. Antídio Lunelli comandou o município de 2017 a 2020 e foi reeleito para o período de 2021 a 2022, quando renunciou para assumir como deputado estadual. Os dois não figuram entre os ex-prefeitos denunciados na Operação Mensageiro.
Quando olhamos para a região, o contraste chama atenção. O ex-prefeito de Corupá, Luiz Carlos Tamanini, recebeu condenação em primeira instância de 41 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e participação em organização criminosa. A sentença foi divulgada pelo MPSC em outubro de 2024 e era passível de recurso.
E agora, um novo desdobramento envolvendo a região: o ex-prefeito de Guaramirim, Luís Antônio Chiodini, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina a 17 anos de prisão, em julgamento realizado em 29 de outubro de 2026, por crimes relacionados à Operação Mensageiro. A condenação envolve organização criminosa, corrupção e fraude em licitação. A defesa informou que pretende recorrer.
Outro nome que merece ser lembrado é Ademir Izidoro, que esteve à frente do Samae de Jaraguá do Sul. Apesar dos questionamentos e do desgaste público enfrentado na época, não há registro de que tenha sido denunciado na Operação Mensageiro ou de que tenha participado do esquema de corrupção investigado. Sua situação deve ser distinguida da dos agentes públicos condenados na operação.
Assim, Dieter Janssen, Antídio Lunelli e Ademir Izidoro são três nomes de Jaraguá do Sul que merecem ter suas trajetórias lembradas nesse contexto
E fica a reflexão: não há motivo para transformar isso em troféu político, mas também não se pode deixar de reconhecer a diferença entre administrações que tiveram seus ex-prefeitos condenados e aquelas cujos gestores não aparecem entre os denunciados na operação. Dieter Janssen e Antídio Lunelli merecem ter esse dado registrado na história política de Jaraguá do Sul. E, quando tantos municípios enfrentam as consequências de escândalos envolvendo dinheiro público, preservar a credibilidade da administração é algo que merece ser valorizado.