A 22ª Stammtisch de Jaraguá do Sul foi marcada pela criatividade, pela confraternização e, principalmente, pela capacidade dos grupos de transformar suas barracas em verdadeiros espaços de celebração. Entre elas, uma chamou atenção pelo cuidado em cada detalhe e pela riqueza de elementos que remetem à história da cidade, e por isso, foi a vencedora.
A barraca conquistou o destaque de melhor barraca da edição e, como prêmio, levou para casa 30 litros de chope e 10 quilos de churrasco.
Liderada por Janice Specht, a turma dos "100 Freio" reuniu 66 participantes e apostou em uma decoração inspirada nos tradicionais Clubes de Caça e Tiro de Jaraguá do Sul, valorizando símbolos que representam a cultura, as tradições e a memória da comunidade.
Objetos que contam histórias
O diferencial da decoração esteve justamente nos detalhes. Para compor o ambiente, foram reunidas canecas de festas realizadas entre 1964 e 2026, criando uma verdadeira linha do tempo das celebrações que atravessaram gerações.
O espaço também recebeu canecas de tradicionais festas italianas e de festas de igreja. Entre as peças, estava uma especialmente significativa: uma caneca comemorativa aos 100 anos da Igreja Católica Santo Estêvão da Hungria, localizada no bairro Garibaldi.
Um livro que despertou a curiosidade
Outro destaque foi o livro “Travessias”, obra que apresenta histórias relacionadas à chegada dos imigrantes e às trajetórias que ajudaram a construir a comunidade do Vale.
A presença do livro não passou despercebida. Segundo Janice, várias pessoas que visitaram a barraca demonstraram interesse e chegaram a perguntar se poderiam comprá-lo, mostrando como a proposta de resgatar a história também despertou a curiosidade de quem passou pelo espaço.

Música também fez parte do cenário
A tradição das antigas bandinhas, tão presente nas festas e encontros da região, também ganhou espaço na decoração. Discos de vinil de 1973 e 1981 e um sax alto de 1990 ajudaram a compor o ambiente e reforçaram a atmosfera de nostalgia.
Outro elemento que chamou atenção foi uma mesa bistrô produzida a partir de uma roda de carro de boi, incorporando ao espaço mais uma referência ao passado e à vida das antigas comunidades.
Tudo original e cheio de significado
Um dos grandes diferenciais foi que praticamente todos os objetos utilizados na decoração pertenciam às próprias famílias dos integrantes do grupo. “Cada objeto foi escolhido para contar um pouco da nossa história e mostrar que cultura, tradição e memória continuam vivas através das gerações”, destacou Janice.
A proposta fez com que a barraca deixasse de ser apenas um espaço para confraternização e se transformasse em uma espécie de exposição informal, reunindo lembranças que carregam histórias de diferentes famílias e épocas.
A identidade também estava nas roupas
Até as camisetas do grupo foram pensadas para conversar com a decoração. A identidade visual buscou fazer uma ligação com as cores de Jaraguá do Sul, o tema dos 150 anos e a tradição dos Clubes de Caça e Tiro.
Para completar o visual, os participantes foram convidados a usar o tradicional chapéu da Schützenfest, enquanto as mulheres acrescentaram flores aos cabelos.bO resultado foi uma turma visualmente integrada e totalmente conectada à proposta da barraca.
Uma decoração feita com carinho
Toda a decoração foi montada por Adriana Ersching, que ficou responsável por transformar as ideias do grupo em um espaço repleto de referências e personalidade. À frente da turma, Janice Specht acompanhou cada detalhe e fez questão de destacar o envolvimento dos participantes. “Eu sou a líder dessa turma maravilhosa”, afirmou Janice, orgulhosa da união do grupo.
Até a mesa da comida entrou no clima
O cuidado com a temática não ficou restrito à decoração principal. Até o espaço utilizado para servir a comida recebeu elementos que reforçavam a proposta. No sábado, as tradicionais gamelas de madeira antigas foram utilizadas para compor a mesa, trazendo novamente objetos originais e carregados de memória para dentro da festa.

Mais do que uma barraca, uma homenagem
Com 66 pessoas reunidas, objetos históricos, música, vestimentas tradicionais e referências às famílias e à cultura local, a barraca liderada por Janice Specht se destacou por transformar a Stammtisch em uma oportunidade de celebrar também aquilo que veio antes. Mais do que competir pela decoração, o grupo mostrou que é possível reunir amigos, festejar e, ao mesmo tempo, preservar a memória de uma cidade construída por diferentes histórias, famílias e tradições. Na 22ª Stammtisch, a barraca não apresentou apenas uma decoração: apresentou um pedaço da história de Jaraguá do Sul.