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Célia Gascho Cassuli lança livro que resgata a história e a força da comunidade de Jaraguá do Sul

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Célia Gascho Cassuli lança livro que resgata a história e a força da comunidade de Jaraguá do Sul
Foto: Fábio Junkes/ OCP News

A escritora e pesquisadora Célia Gascho Cassuli lançou, na noite de sexta-feira (17), na Sociedade Cultura Artística (Scar), em Jaraguá do Sul, o livro "Nossa Gente", publicado pelo Instituto Cassuli. A obra apresenta uma análise sobre a formação histórica do município e sustenta que o crescimento da cidade foi resultado, principalmente, da atuação e do protagonismo da própria comunidade.


Durante o evento, Célia explicou que a inspiração para escrever o livro surgiu após anos observando a maneira como os moradores de Jaraguá do Sul enfrentam os desafios coletivos. Segundo a autora, o município se destaca por reunir pessoas que não aguardam exclusivamente ações do poder público, mas se unem para buscar soluções e promover mudanças. “Como Jaraguá é uma cidade diferente. E por que ela é diferente? Porque o povo é diferente. Aqui as coisas acontecem. A sociedade faz acontecer”, afirmou.


A pesquisadora contou que essa percepção despertou o interesse em investigar as origens desse comportamento. Ao longo dos estudos, concluiu que a cidade desenvolveu o que chama de uma "veia anarquista". Ela ressaltou, porém, que o conceito não faz referência à desordem, mas a uma filosofia voltada à autonomia, à iniciativa individual e à capacidade da sociedade de resolver seus próprios problemas.


De acordo com Célia, esse espírito começou a ser formado ainda nos primeiros tempos da colonização, quando os pioneiros encontraram uma região praticamente sem infraestrutura. “Eles vieram e não tinham nada. Precisaram abrir picadas, construir estradas, levantar suas casas e garantir a própria sobrevivência. Isso fez com que desenvolvessem cada vez mais essa autonomia”, explicou.


Exemplos de mobilização


Ao longo da apresentação, a autora relembrou diversos episódios que, em sua avaliação, comprovam a tradição de organização comunitária em Jaraguá do Sul. Um dos exemplos citados foi a criação do Hospital São José, em 1925. Segundo ela, a iniciativa partiu dos antigos choferes de praça, com apoio da população, antes de qualquer atuação direta do poder público. Também mencionou a construção de igrejas, clubes sociais e outras instituições erguidas graças ao envolvimento da comunidade.


Outro destaque foi a origem da Sociedade Cultura Artística (Scar). Conforme relatou, a instituição nasceu em 1958 por iniciativa da pianista Adélia Fischer, de seu marido e de seus filhos, que organizaram uma orquestra responsável por dar origem à entidade cultural.


Célia também recordou a criação dos Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul. Ela explicou que a iniciativa surgiu após um grande incêndio atingir um estabelecimento comercial da cidade, quando os moradores perceberam que dependiam do atendimento dos bombeiros de Joinville, cujo deslocamento demorava várias horas.


Na avaliação da pesquisadora, esse mesmo espírito de cooperação também está presente em entidades como a APAE, a AMA, a equoterapia desenvolvida pela AJAE e diversas organizações dedicadas ao atendimento de crianças, jovens e pessoas com deficiência. Ela ainda destacou que muitas creches e hospitais do município são administrados por entidades da sociedade civil, mesmo contando com apoio do poder público.


Contexto histórico


Durante a palestra, a autora também abordou a participação política de Jaraguá do Sul na década de 1930. Segundo ela, naquele período, moradores buscavam ampliar a representatividade política da cidade em um cenário dominado por grupos tradicionais de Santa Catarina. Conforme explicou, esse contexto contribuiu para o fortalecimento do integralismo no município.


De acordo com Célia, proporcionalmente, Jaraguá do Sul foi a cidade catarinense com maior número de integrantes do movimento, enquanto Santa Catarina concentrava a maior presença de integralistas do país. Ela ressaltou que essa análise integra a pesquisa histórica apresentada no livro.


Ao encerrar o evento, a autora reforçou que, em sua visão, a principal característica de Jaraguá do Sul continua sendo a capacidade de seus moradores de se organizar e encontrar soluções para os desafios da comunidade. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Eu acho muito apropriada essa frase para Jaraguá. Nós nunca esperamos. É isso que faz a cidade diferente”, afirmou.


Após a apresentação, Célia participou da sessão de lançamento e autógrafos de "Nossa Gente", realizada na Scar. O prefácio da obra foi escrito pelo autor Nelson Pereira, que destaca a contribuição da pesquisadora para a preservação da história e da memória de Jaraguá do Sul.

Redação Revista Nossa

Redação Revista Nossa

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