O diretor teatral amazonense Matheus Sabbá morreu na noite desta quarta-feira, 28, aos 30 anos de idade. Ele assinou a direção de cena Onheama, primeira ópera brasileira apresentada na história do Festival Internacional de Música de Santa Catarina (FEMUSC), montagem levada ao palco do Teatro SCAR , em Jaraguá do Sul (SC), nos dias 23 e 24 de janeiro de 2026, na 21ª edição do festival.
A morte foi confirmada pelo festival. A causa não foi divulgada.
Para o diretor artístico do FEMUSC, Alex Klein, a perda atinge a cultura brasileira em um momento de ascensão do artista.
"O Brasil perdeu um gênio, cuja genialidade estava só começando a se revelar. Criativo, estudioso, excelente dom de trabalhar com as pessoas, responsável, mas acima de tudo destaque para sua imaginação e habilidade de liderar outros a entrarem em sua história. Matheus deixa um espaço que nunca será ocupado."
Em nota, o festival lamentou a morte e destacou a passagem do diretor pela instituição.
"Ontem nos despedimos com tristeza de Matheus Sabbá, que fez parte da história recente do FEMUSC e deixou sua marca em nossas produções. Neste ano, Matheus esteve à frente da direção de Onheama, a ópera de João Guilherme Ripper, apresentada no festival. Em 2025, também integrou nossa equipe como assistente de direção na produção de Madama Butterfly.
Sua presença e seu trabalho fizeram parte de momentos importantes da nossa trajetória artística, e somos gratos por termos compartilhado esses encontros com ele. Neste momento de tristeza, deixamos nosso carinho e nossos sentimentos aos familiares, amigos e a todos que tiveram o privilégio de trabalhar e conviver com Matheus."
Trajetória
Formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas, Sabbá construiu carreira em musicais, óperas e cinema. Atuou em instituições como o Theatro Municipal de São Paulo, o Theatro São Pedro, o Festival Amazonas de Ópera e o próprio FEMUSC.
Em 2024, integrou o elenco do filme O Último Azul e recebeu reconhecimentos nacionais por direções como A Caixa Mágica do Natal, premiada no Cenym e no Prêmio Brasil Musical.
A ópera Onheama
Com duração de 1h20 e mais de 80 artistas em cena, Onheama marcou a estreia de uma ópera brasileira como atração principal do FEMUSC. O termo significa eclipse, fenômeno que, na tradição indígena, é explicado pela ação de Xivi, a onça celeste que devora Guaraci, o sol, e depois sai à caça das estrelas e de Jaci, a lua.
A narrativa acompanha Iporangaba, jovem guerreira que parte em uma jornada para salvar sua comunidade e encontra personagens como o Boto e a Yara. Na versão original, o protagonista era um guerreiro; na montagem do FEMUSC, Sabbá transformou a figura central em uma guerreira mulher indígena, para destacar o protagonismo feminino. A obra aborda ancestralidade, pertencimento e conexão com a natureza.
"Dirigir Onheama é contar a história do meu povo. Falar da mitologia do lugar onde nasci e cresci e levá-la para um público que raramente tem contato com essas narrativas", disse o diretor na época da estreia. "Optamos por transformar o protagonista em uma jovem guerreira para ressaltar a força das mulheres amazônicas e o processo de amadurecimento da personagem."
Sobre assumir a principal montagem do festival, afirmou: "Estou fazendo algo que amo, falando de um lugar que amo. É duplamente gratificante."