A dor de cabeça pode parecer um sintoma comum e, muitas vezes, acaba sendo tratado por conta própria, com o uso de analgésicos. Quando as crises se tornam frequentes, intensas ou começam a interferir na rotina, no trabalho e no sono, porém, é importante investigar as possíveis causas. A cefaleia, nome médico dado à dor de cabeça, pode ter diferentes características e exigir abordagens distintas, incluindo acompanhamento neurológico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos relacionados à dor de cabeça afetaram cerca de 40% da população mundial em 2021, o equivalente a aproximadamente 3,1 bilhões de pessoas. Apesar de frequentes, essas condições nem sempre recebem diagnóstico e tratamento adequados.
A neurologista Erika Tavares Ferreira, que atende em Jaraguá do Sul e por teleconsulta, atua com foco em enxaqueca e outras cefaleias. Observar a frequência das dores, a duração das crises, os sintomas associados e a resposta aos medicamentos são aspectos importantes para orientar a investigação e a escolha do tratamento, segundo a especialista.
Um dos pontos de atenção é o uso frequente de analgésicos. Embora esses medicamentos possam aliviar episódios pontuais, o uso excessivo de remédios para tratar a dor pode contribuir para a manutenção ou o agravamento de algumas cefaleias, criando um ciclo em que a pessoa passa a sentir dor com mais frequência e recorre cada vez mais à medicação.
“Quando a dor de cabeça começa a se repetir com frequência, é importante olhar além do alívio imediato. Entender como são as crises, quantas vezes acontecem e quanto interferem na rotina ajuda a identificar o tipo de cefaleia e a definir a conduta mais adequada para cada pessoa”, explica a neurologista.
Outro aspecto importante é diferenciar os tipos de dor de cabeça. A enxaqueca, por exemplo, é uma condição neurológica que pode provocar dor moderada a intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e sensibilidade à luz e aos sons. Já a cefaleia do tipo tensional costuma apresentar sensação de pressão ou aperto. Essas características ajudam na avaliação clínica, mas não substituem o diagnóstico médico.
Quando procurar atendimento?
A frequência das crises é um dos fatores que merecem atenção. Dores recorrentes, que exigem o uso frequente de medicamentos ou prejudicam atividades cotidianas, justificam uma avaliação médica. Um diário de dor, com registros dos dias em que os episódios acontecem, da intensidade, da duração e dos medicamentos utilizados, também pode ajudar na investigação.
Há situações, entretanto, que exigem atendimento de urgência. Uma dor de cabeça súbita e extremamente intensa, especialmente quando atinge o pico rapidamente, ou acompanhada de fraqueza, alteração da fala, confusão mental, febre com rigidez na nuca ou outros sintomas neurológicos novos, deve ser avaliada imediatamente.
A investigação adequada permite diferenciar as causas da dor e avaliar as opções de tratamento. Além dos medicamentos para aliviar as crises, alguns pacientes podem se beneficiar de estratégias preventivas e de mudanças na rotina, considerando fatores como sono irregular, jejum prolongado e outros possíveis desencadeantes individuais.