Alugar um videogame para aproveitar o fim de semana, passar horas jogando Counter-Strike com os amigos ou encontrar pessoas que compartilhavam a mesma paixão pelos games. Essas são algumas das lembranças que a Brazfox construiu ao longo de 33 anos em Jaraguá do Sul. Um dos estabelecimentos mais tradicionais do universo dos jogos na cidade, a loja encerrará suas atividades no dia 5 de novembro, deixando para trás uma trajetória marcada por encontros e gerações de clientes.
Desde a inauguração, em maio de 1993, Dalvino Coelho esteve à frente do empreendimento e acompanhou de perto as transformações do mercado dos games. O que começou em uma pequena sala no Edifício Piccoli se transformou em um ponto de referência para os apaixonados por videogames, jogos de cartas, RPG e computadores. Durante os anos de popularidade das lan houses, o espaço também se tornou um conhecido ponto de encontro entre os jovens jaraguaenses.
A história da Brazfox começou de maneira bastante inusitada. Em 1993, durante uma viagem a Ituporanga, o Fusca de Dalvino capotou em uma ponte de Indaial. Quem dirigia o veículo era seu amigo Dírio Moresco, que posteriormente se tornaria seu sócio no negócio.
Depois do acidente, Dalvino vendeu o automóvel para um ferro-velho e destinou o dinheiro à abertura da empresa, utilizando os recursos para formalizar o empreendimento e adquirir os primeiros produtos. Os dois primeiros videogames foram comprados em um leilão. Para completar a estrutura inicial, ele também precisou aproveitar equipamentos e recursos que já possuía em casa.
A primeira unidade abriu as portas em maio daquele ano, em um espaço de aproximadamente 28 metros quadrados no Edifício Piccoli. Além de comprar produtos, os clientes podiam permanecer no estabelecimento para jogar ou alugar os videogames e aproveitar os jogos em casa.

Mesmo antes da inauguração oficial, a loja já despertava a curiosidade da criançada. Dalvino recorda que, nos dias que antecederam a abertura, diversos meninos se aglomeravam diante da vitrine, observando o interior do estabelecimento e pedindo para entrar por alguns instantes. Mais de três décadas depois, ele considera essa lembrança uma das mais especiais de toda a trajetória.
A identidade visual da empresa também nasceu da paixão pelo universo dos jogos. Segundo Dalvino, foram necessárias quase quatro semanas até chegar ao nome Brazfox, inspirado na combinação de referências que remetiam à ideia de uma raposa brasileira. A criação do logotipo levou mais de um mês e teve como referência o dragão do famoso jogo Mortal Kombat.
Com o crescimento da procura, o espaço inicial já não comportava mais a estrutura do negócio. Em 1995, apenas dois anos depois da inauguração, a Brazfox mudou de endereço e passou a funcionar na Rua Guilherme Weege, número 34, no Centro. O novo imóvel tinha 162 metros quadrados e, posteriormente, foi adquirido pelos próprios proprietários.
Ao longo dos anos, a variedade de produtos e atividades acompanhou as novidades da indústria do entretenimento. Além dos videogames, a loja passou a oferecer jogos de cartas colecionáveis, como Magic e Pokémon, livros de RPG e computadores destinados às partidas em rede. O automodelismo também integrou o catálogo durante determinado período.
Na época das lan houses, Battlefield 1942 e Counter-Strike figuravam entre os jogos mais procurados pelos frequentadores. Já nos consoles, diferentes gerações de jogadores passaram por títulos como Need for Speed, Pro Evolution Soccer, Ridge Racer, 007, Tekken, Mortal Kombat, Street Fighter e Mario Kart.
Mais do que acompanhar a evolução dos videogames, a Brazfox fez parte da história de quem cresceu frequentando o estabelecimento. Para muitos jaraguaenses, a loja representou o primeiro contato com determinados jogos, as tardes de diversão com os amigos e a oportunidade de conhecer outras pessoas que compartilhavam os mesmos interesses.
Com o encerramento previsto para 5 de novembro, termina um capítulo de 33 anos de uma história que ultrapassou o comércio de videogames e conquistou um lugar especial na memória de diferentes gerações da cidade.