O presidente Lula está prestes a proibir as bets no Brasil por meio de uma medida provisória. A decisão saiu de uma reunião com ministros no Palácio da Alvorada, e a assinatura pode sair ainda hoje, segundo pessoas que participaram do encontro.
Na reunião, Lula chegou a cogitar um meio-termo — proibir só os cassinos on-line, como o jogo do tigrinho, mantendo as apostas esportivas —, mas concluiu que era preciso "cortar o mal pela raiz".
Por que isso importa? 44 milhões de pessoas já apostaram no Brasil. Só no 1° semestre de 2026, o mercado de apostas esportivas faturou +R$ 17 bi, turbinado pela Copa. Uma proibição mexe com a receita de clubes, publicidade de TV aberta, de influenciadores e de anúncios online.
A reação do futebol… Clubes da Série A divulgaram um manifesto contra a proibição, alertando que o fim das bets seria o fim do futebol. O governo avalia agora se reunir com os times para discutir compensação pela perda de patrocínio.
O impacto na TV aberta. Casas de apostas como Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte avisaram emissoras que vão rescindir contratos se a restrição avançar. Para se ter ideia, só em agosto, o setor injetou R$ 153M em publicidade nos intervalos comerciais.
Há também outro risco. Cada bet pagou ao governo uma autorização de R$ 30M, por 5 anos de operação. Uma proibição no meio do caminho abre margem para pedidos de indenização. Para contornar isso, o governo estuda processar as empresas para que elas indenizem apostadores que se endividaram.
A pauta já está movimentando a discussão eleitoral. Opositores criticam o timing da medida — a 9 dias das eleições —, apontando que foi o próprio Lula que sancionou a lei que regulamentou as bets. Já apoiadores defendem a medida apontando a urgência de dar fim ao impacto negativo dos jogos de azar, ressaltando que a lei inicial, que tornou bet legal, é de 2018, no governo Temer.