O governo de Minas Gerais foi o primeiro a anunciar ajuda a clubes afetados pelo fim das bets. O estado vai destinar R$ 32 milhões para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG, por meio de contratos de publicidade e patrocínio com estatais do estado.
O valor sai do orçamento que a Cemig e a Codemig já reservam para publicidade e patrocínio de suas marcas. Segundo o governador Mateus Simões (PSD), o total equivale a cerca de 1/3 do que as bets pagavam a esses clubes, algo próximo de R$ 100 milhões por ano.
A medida pode chegar a outros estados. Ao todo, 13 dos 20 clubes da Série A têm uma bet como patrocinadora master, e o setor deve repassar R$ 1,1 bilhão na temporada. O valor representa uma alta de 66% comparado com o ano anterior.
Apenas o Flamengo recebe R$ 268 milhões por temporada da Betano, mais de 8x todo o pacote mineiro.
O time foi, inclusive, o primeiro a acionar o STF contra a medida que baniu as bets do país. O clube diz não ser contra a regulamentação, mas pede que o tribunal avalie o efeito sobre contratos em vigor e sobre modalidades olímpicas e de base.
Do outro lado, o Planalto discute um mecanismo de socorro aos times que pode movimentar até R$ 20 bi. Uma das ideias é oferecer uma linha de crédito com juros menores para o pagamento de dívidas. A oferta do governo foi considerada insuficiente pelos dirigentes.
A expectativa é que uma reunião entre clubes e governo federal só ocorra após as eleições. Nos bastidores, circulam rumores de um possível boicote por parte dos times ao Brasileirão.