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Educação financeira nas escolas pode ajudar a formar uma geração mais consciente sobre dinheiro

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Educação financeira nas escolas pode ajudar a formar uma geração mais consciente sobre dinheiro
Para Anamara, os efeitos de uma educação financeira mais presente na formação básica não serão imediatos, mas podem representar uma mudança importante na maneira como as próximas gerações tomam decisões

Aprender desde cedo que dinheiro envolve escolhas, limites e consequências pode mudar a forma como as próximas gerações chegarão à vida adulta. É nesse contexto que a aprovação, pelo Senado, do projeto que prevê a educação financeira como tema transversal nos currículos dos ensinos fundamental e médio ganha relevância. A proposta ainda precisa passar por nova análise da Câmara dos Deputados.


Para a mentora financeira Anamara Dreilich, o avanço da discussão representa uma oportunidade de construir uma relação mais consciente com o dinheiro ainda durante a formação de crianças e adolescentes. E isso não significa ensinar apenas sobre investimentos, juros ou orçamento.


“Educação financeira começa muito antes de falar em investimento. É entender que o dinheiro é limitado, que toda escolha tem uma consequência e que nem sempre podemos ter tudo no momento em que queremos. Quando uma criança aprende isso desde cedo, começa a desenvolver uma relação muito mais consciente com o dinheiro”, explica.


O PL 2.979/2023 foi aprovado pelos senadores em julho e prevê que o tema seja trabalhado de forma integrada a diferentes disciplinas. Como houve alterações no Senado, a proposta retornou à Câmara dos Deputados para nova análise.


Segundo a especialista, boa parte dos adultos começa a buscar conhecimento sobre finanças somente quando enfrenta dificuldades, como dívidas, descontrole dos gastos ou falta de recursos para realizar objetivos. Levar o assunto para a escola permite antecipar essa formação.


“Hoje, muitas vezes, ensinamos educação financeira depois que o problema já apareceu. Precisamos ajudar um adulto a mudar comportamentos que ele repetiu durante anos. Quando começamos na infância, temos a possibilidade de construir essa consciência antes que determinados hábitos estejam consolidados”, afirma.


Na prática, o aprendizado pode estar presente em situações próximas da realidade dos estudantes. Diferenciar desejo de necessidade, compreender por que é preciso esperar para realizar uma compra, estabelecer prioridades, pesquisar preços e perceber que escolhas envolvem renúncias são alguns exemplos.


Essa formação se torna ainda mais relevante diante do contato cada vez mais precoce de crianças e adolescentes com compras digitais, publicidade nas redes sociais, influenciadores e conteúdos que apresentam possibilidades de consumo e ganho rápido.


“Essa geração recebe estímulos financeiros o tempo inteiro. Ter conhecimento para questionar uma oferta, compreender riscos e avaliar se determinada escolha realmente faz sentido também é educação financeira. Não podemos esperar que essas habilidades apareçam naturalmente quando o jovem chega à vida adulta”, destaca Anamara.


A especialista ressalta, porém, que a escola não substitui o papel da família. Para ela, o aprendizado precisa continuar dentro de casa, onde as crianças observam e começam a reproduzir comportamentos relacionados ao dinheiro.


“Os pais não precisam abrir todos os detalhes das finanças da família, mas podem incluir os filhos em pequenas decisões. Explicar por que é necessário escolher entre duas coisas, mostrar que uma compra precisa ser planejada ou incentivar a criança a guardar dinheiro para alcançar um objetivo são experiências que ajudam a transformar conhecimento em comportamento”, pontua.


Para Anamara, os efeitos de uma educação financeira mais presente na formação básica não serão imediatos, mas podem representar uma mudança importante na maneira como as próximas gerações tomam decisões.


“Estamos falando de preparar crianças que, no futuro, terão mais ferramentas para administrar o próprio dinheiro. Não significa que nunca cometerão erros, mas que poderão chegar à vida adulta entendendo melhor o valor das escolhas e as consequências que elas trazem”, conclui.

Redação Revista Nossa

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