A inteligência artificial já aparece em diferentes etapas dos processos seletivos, desde a elaboração de currículos e e-mails até testes e entrevistas. Mas, quando usada sem critério, a tecnologia pode acabar criando dificuldades para o próprio candidato. Uma sondagem interna realizada pelo Hubble, plataforma de people intelligence para recrutamento e seleção criada pelo Grupo Hub, com 29 profissionais de recrutamento das empresas do grupo, buscou entender como o uso de IA por candidatos tem sido percebido na prática. Entre os consultados, 24 afirmaram já ter percebido ou suspeitado do uso da tecnologia em alguma etapa de seleção. No período de 30 dias, esses profissionais atuaram em 64 vagas, que reuniram aproximadamente 1.150 candidaturas.
Para Victor Fazzio, CEO da Hubble e sócio sênior do Grupo Hub, a questão não está simplesmente em usar ou não inteligência artificial, mas na forma como a ferramenta é incorporada ao processo. “A IA pode ser uma aliada importante para quem está buscando uma oportunidade. O cuidado é não permitir que ela substitua justamente aquilo que o processo seletivo precisa conhecer sobre o candidato: sua experiência, seus conhecimentos e sua forma de pensar. Saber usar a tecnologia também significa saber onde ela ajuda e onde é preciso assumir o protagonismo”, afirma Fazzio.
A partir dos pontos levantados pelos profissionais consultados, a Hubble reuniu cinco erros que merecem atenção de quem utiliza IA durante a busca por uma vaga.
1. Copiar respostas genéricas ou padronizadas
Linguagem excessivamente genérica ou polida foi o sinal mais citado pelos recrutadores consultados, mencionado por 20 profissionais. Estruturas de resposta padronizadas apareceram logo depois, apontadas por 17.
O cuidado, portanto, é evitar que o conteúdo gerado pela ferramenta seja reproduzido sem adaptação. Currículos, e-mails e respostas precisam refletir a trajetória, as experiências e o repertório do próprio candidato, e não apenas apresentar um texto bem estruturado.
2. Recorrer à IA para construir respostas durante a entrevista
O uso da tecnologia também pode chegar à própria conversa com o recrutador. Em uma das experiências relatadas na sondagem, um candidato foi desclassificado após o gestor perceber que ele recorria à IA para responder perguntas durante uma entrevista.
Segundo o relato, o gestor esperava conhecer o candidato de maneira mais genuína e considerou que o recurso estava tornando as respostas excessivamente “maquiadas”.
3. Apresentar um desempenho que não corresponde ao domínio técnico real
A inconsistência entre o resultado de um teste e o nível de senioridade do candidato foi outro sinal apontado pelos recrutadores. Ao mesmo tempo, 18 dos 29 profissionais consultados colocaram entre os principais riscos do uso de IA a contratação de candidatos sem a competência técnica efetivamente demonstrada.
Por isso, o uso da ferramenta em testes técnicos, análises ou atividades práticas exige atenção. O candidato precisa ser capaz de sustentar o conhecimento e o nível de entrega apresentados ao longo das demais etapas do processo.
4. Apresentar informações cuja autenticidade fica difícil de comprovar
A dificuldade de validar a autenticidade dos dados foi mencionada por 12 recrutadores como um dos principais riscos relacionados ao uso de IA por candidatos. O mesmo número apontou o aumento da desonestidade acadêmica ou profissional.
Isso torna especialmente importante revisar aquilo que a ferramenta produz e garantir que informações incluídas em currículos, apresentações, testes ou respostas correspondam efetivamente à experiência e aos conhecimentos do profissional.
5. Deixar o pensamento crítico em segundo plano
A desvalorização do pensamento crítico foi o risco mais mencionado na sondagem, apontado por 21 dos 29 profissionais consultados. Para a Hubble, esse é um dos principais cuidados no uso da tecnologia: a IA pode participar do processo, mas o profissional precisa continuar sendo capaz de avaliar aquilo que apresenta, tomar decisões e sustentar seu próprio raciocínio.
“Quanto mais presente a IA estiver na rotina profissional, mais importante será mostrar que existe uma pessoa capaz de analisar, questionar e tomar decisões por trás da ferramenta. O diferencial não é simplesmente conseguir uma boa resposta, mas saber avaliar e sustentar aquilo que está sendo apresentado”, completa Fazzio.
Sobre o Hubble
A Hubble é uma empresa de tecnologia focada em people intelligence, que usa inteligência artificial para ajudar empresas a tomar decisões melhores sobre pessoas: da atração à contratação. Por meio de camadas de IA e Machine Learning nativas, a plataforma transforma dados de processos seletivos em critérios mais consistentes, auditáveis e livres de viés. Criada pelo Grupo Hub, consultoria com mais de 12 anos de atuação no setor, a solução conta ainda com um banco proprietário de milhares de profissionais qualificados e utiliza a tecnologia para ampliar a eficiência e a capacidade analítica das equipes de RH, preservando o protagonismo do recrutador nas decisões.
Sobre o Grupo Hub:
Fundado em 2014, o Grupo Hub é uma consultoria de RH especializada em recrutamento e seleção, desenvolvimento e tecnologia para gestão de pessoas. Com 12 anos de atuação e operação no Brasil e nos Estados Unidos, a empresa já atendeu mais de 400 companhias, entrevistou 282 mil candidatos e trabalhou em quase 9 mil posições com 99,5% de assertividade. Entre os clientes estão marcas como Natura, Itaú, iFood e Stellantis. Em 2026, ampliou sua frente de tecnologia com o lançamento do Hubble, plataforma criada para integrar IA nativa e recrutamento estruturado em uma plataforma voltada para pequenas e médias empresas.