O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou em áudio ter negociado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para custear um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outros repasses ao Instituto Lula. As informações foram divulgadas pela revista Veja, com base em áudios e documentos apresentados à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a publicação, os valores estariam relacionados a uma negociação para facilitar o credenciamento do Banco Master junto a fundos de previdência de servidores públicos federais, incluindo Previ, Caixa Asset, Petros e Postalis. O dinheiro seria destinado a despesas do documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone e gravado no exterior, e à instituição administrada por Paulo Okamotto.
Vorcaro atribuiu as tratativas ao então sócio Augusto Lima e ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Segundo o relato, o senador Jaques Wagner teria ajudado a intermediar o primeiro encontro. O banqueiro também afirmou que Vaccari teria solicitado uma comissão de 10% sobre os recursos captados pelo banco junto aos fundos. Caso a operação fosse concretizada, os valores movimentados poderiam chegar a bilhões de reais.
As declarações foram incluídas em um anexo encaminhado à PGR em junho, durante uma tentativa de delação premiada. De acordo com a Veja, o caso não avançou por falta de provas suficientes dos pagamentos, que teriam sido feitos em espécie. A defesa de Vorcaro afirmou que existem mensagens de WhatsApp, registros de saques e informações sobre os locais e as rotas das supostas entregas.
Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro, ou autorizado terceiros a receber valores em seu nome. Alexandre Padilha e Olavo Noleto também negaram relação com o banqueiro, segundo a publicação. As alegações atribuídas a Vorcaro não comprovam, por si só, que os pagamentos ocorreram ou que os citados cometeram irregularidades.
Com informações da Revista Veja