Na próxima segunda-feira, dia 12 de outubro, quando se comemora nacionalmente o "Dia das Crianças", o Instituto Cocidades, organização local dedicada ao desenvolvimento territorial e fortalecimento comunitário, lança um manifesto que convida a cidade a olhar para si mesma por uma perspectiva pouco explorada: a dos meninos e meninas que vivem em Jaraguá do Sul.
O documento, intitulado "Por cidades para (e com) as crianças", recupera uma dimensão de reconhecimento de que as crianças não são apenas futuros cidadãos, mas cidadãos presentes, com direito ao espaço, à mobilidade autônoma, ao brincar livre e à participação nas decisões que afetam seu cotidiano. "Onde as crianças estão? Onde podem permanecer? Quais espaços fazem parte de suas memórias? E talvez uma das perguntas mais importantes para o planejamento urbano contemporâneo seja esta: que infâncias cabem nas cidades que estamos construindo?", provoca a publicação.

A presidente do Instituto Cocidades, pesquisadora Luana Seidel, coloca que o lançamento na data comemorativa foi uma escolha simbólica para colocar em pauta uma conversa que precisa ocupar o centro das decisões sobre o território nos próximos anos. "Toda infância acontece em algum território. Os lugares de casa, da escola, do parquinho compõem o universo vivido por uma criança e dizem muito sobre a ideia de infância que a própria cidade carrega", aponta.
A iniciativa ecoa experiências internacionais que já demonstraram o poder transformador de colocar as crianças no centro do planejamento urbano. É o caso de Bolonha, na Itália, berço do movimento "La Città dei Bambini" (A Cidade das Crianças), idealizado pelo pedagogo Francesco Tonucci. Ainda na década de 1990, a cidade italiana lançou o manifesto "How to Win Back Our Cities" (Como Reconquistar Nossas Cidades), documento que defendeu a reconquista dos espaços públicos como bem comum e a escuta das crianças como parâmetro para decisões urbanas.
Conforme explica a diretora de Programas e Metodologias do Cocidades, arquiteta e urbanista Laryssa Tarachucky, pesquisas atuais têm demonstrado que cidades pensadas para atender às necessidades das crianças tendem a ser mais seguras, com melhores calçadas, praças acolhedoras, arborização e espaços de convivência - algo que tem reflexo na qualidade de vida de toda a população, não apenas do público infantil. "Em outras palavras, o que beneficia a criança beneficia o adulto, o idoso, a pessoa com deficiência e todos os demais habitantes", destaca a especialista, que é pós-doutora pelo Centro de Síntese USP Cidades Globais (IEA/USP).
O lançamento marca o início de uma mobilização que o Cocidades pretende expandir ao longo dos próximos meses. A expectativa é que o documento sirva como ponto de partida para diálogos com a administração pública, o setor produtivo, as escolas e as organizações da sociedade civil sobre políticas e projetos que possam tornar Jaraguá do Sul uma referência regional no cuidado com as infâncias e juventudes. "Existe a convicção de que uma cidade desenhada para as crianças é, automaticamente, uma cidade melhor para todos. Mas isso não acontece por acaso e exige escuta, compromisso e ação coletiva. Queremos construir uma frente ampla que coloque as crianças no mapa das decisões sobre Jaraguá do Sul", reforça Luana.
Para tanto, o grupo convida entidades locais, empresas e instituições que são a favor da infância a se aproximarem e assinarem o manifesto em conjunto. Quem tiver interesse em conhecer o manifesto na íntegra ou em aderir à iniciativa poderá acessar o conteúdo nas plataformas digitais do Instituto Cocidades. No LinkedIn, basta buscar pela página do Instituto Cocidades (linkedin.com/company/instituto-cocidades) e, no Instagram, pelo perfil @co.cidades (instagram.com/co.cidades).