Foi mais ou menos assim que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, divulgou um artigo pedindo que o progresso da AI seja desacelerado, e sugerindo uma regulação coordenada entre o setor no mundo todo.
A tese de Dario é que a corrida para desenvolver esses modelos aumentaram os riscos de uma AI fora do controle. Isso porque os modelos atuais já trabalham de forma autônoma para criar a próxima geração de inteligência artificial.
Horas após a publicação, os chefes das maiores empresas desta tecnologia do mundo concordaram publicamente, pela primeira vez. Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk (xAI) alertaram que, sem desacelerar, a AI pode gerar riscos que "saiam seriamente do controle".
A proposta: Amodei quer dar a avaliadores externos acesso aos sistemas da Anthropic, para checar se as regras de segurança estão sendo cumpridas. Altman prometeu replicar o modelo e ainda disse que irá adiar o IPO da OpenAI, para focar em segurança.
Os números por trás da corrida
A Anthropic está avaliada em US$ 965 bilhões, um salto de mais de 1.500x desde 2021. Já a OpenAI vale cerca de US$ 852 bilhões, mas opera com uma margem negativa de cerca de 122%. As empresas entraram na fila de IPO em junho deste ano.
Acontece que nem todo mundo comprou o discurso. Críticos apontaram que o artigo serve aos interesses comerciais da Anthropic, principalmente por defender a concentração de poder no setor.
Além disso, existe um temor — inclusive citado pelos CEOs da Palantir e da Microsoft — de que países rivais, como a China, podem simplesmente não seguir o mesmo ritmo, o que tornaria a desaceleração um risco geopolítico.
O próprio presidente Trump rejeitou a ideia de frear o desenvolvimento do setor. Ele disse que os EUA não podem arriscar perder sua liderança sobre a China, mas afirmou que medidas de segurança e futuras regulamentações são possíveis.