O artista plástico catarinense Juarez Machado morreu aos 85 anos, na noite desta terça-feira (6), em um hospital de Vassouras, no centro-sul do Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas sobre a morte, o artista estava internado com pneumonia, e morreu em decorrência de complicações cardíacas. Natural de Joinville, no Norte de Santa Catarina, Machado construiu uma carreira reconhecida no Brasil e no exterior como pintor, desenhista, escultor, ilustrador, cenógrafo e figurinista.
A morte foi confirmada pelo Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM), que lamentou a perda e destacou a importância do artista para a cultura catarinense e brasileira. As informações sobre o velório e o sepultamento ainda não foram divulgadas. “Joinvilense de nascimento e cidadão do mundo por vocação, Juarez Machado construiu uma trajetória singular nas artes, reconhecida no Brasil e no exterior. Sua obra foi marcada pela sensibilidade, pelo humor e pelo olhar atento ao cotidiano. Emocionou diferentes gerações e levou o nome de Joinville a públicos de vários países”, afirmou o instituto em nota.
Apesar da carreira internacional, Juarez Machado manteve uma forte ligação com a cidade onde nasceu. Entre as obras deixadas por ele está o portal monumental do Centro de Eventos de Joinville, espaço que recebe eventos como o Festival de Dança de Joinville e apresentações do Ballet Bolshoi.
Ao longo de décadas de carreira, Juarez Machado transitou por diferentes linguagens e consolidou uma trajetória marcada pela pintura, desenho, escultura, ilustração e trabalhos para televisão e teatro. Seu trabalho levou referências de Santa Catarina para diferentes públicos no Brasil e no exterior.
Nascido em Joinville, em 1941, Machado também teve uma relação importante com Curitiba. No início dos anos 1960, mudou-se para a capital paranaense para estudar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná.
Em 1965, foi para o Rio de Janeiro, onde ganhou projeção nacional como chargista e ilustrador e participou de trabalhos ligados ao teatro, à televisão e à música. Após deixar a televisão, Juarez Machado passou a se dedicar principalmente à pintura. O trabalho artístico, marcado por cores vibrantes, humor e cenas do cotidiano misturadas a elementos de fantasia, ganhou espaço em exposições no Brasil e no exterior.
Juarez Machado também ganhou projeção nacional na televisão. Em 1974, estreou no programa da TV Globo, com um quadro de desenho de humor realizado por meio de mímica, sem diálogos. Com o rosto pintado de branco e figurino inspirado em um palhaço, o artista criava linhas e figuras sobre um fundo preto e interagia com os desenhos. O quadro, acompanhado por uma trilha sonora composta pelo maestro Júlio Medaglia, permaneceu no programa por quatro anos e alcançou grande audiência.
Machado também atuou nos bastidores da televisão, criando cenários para programas da emissora. Entre os trabalhos de maior destaque está a concepção visual do primeiro especial de Roberto Carlos, em dezembro de 1974.
No início da década de 1980, mudou-se para Paris, onde estabeleceu um ateliê no bairro de Montmartre. A cidade francesa se tornou uma das principais bases de sua carreira internacional. Mesmo vivendo na Europa, o artista manteve vínculos com o Brasil e chegou a manter ateliês em Joinville e no Rio de Janeiro.