Sensação de desequilíbrio, visão escurecendo ao levantar, impressão de que o ambiente está girando ou fraqueza. Embora diferentes entre si, essas situações costumam ser resumidas por uma única palavra: tontura. E é justamente aí que começa um erro bastante comum: acreditar que todo episódio seja “labirintite” ou consequência de alterações na pressão arterial.
Segundo o médico otorrinolaringologista Dr. Marcio Freitas, tontura não é um diagnóstico, mas um sintoma que pode estar relacionado a diferentes condições. “Ela pode representar uma alteração do ouvido interno, queda de pressão, arritmia, enxaqueca, efeito de medicamentos, alterações metabólicas ou, mais raramente, uma condição neurológica. Por isso, episódios recorrentes não devem ser banalizados”, explica.
Mudanças de temperatura, pressão atmosférica e umidade também podem funcionar como gatilhos em pessoas predispostas. Alterações na pressão atmosférica, por exemplo, podem interferir na pressão do ouvido médio e agravar sintomas em alguns pacientes com doença de Ménière, enxaqueca vestibular ou dificuldade de compensação da pressão pelos ouvidos.
Já em períodos mais quentes, a transpiração excessiva e a desidratação podem favorecer a dilatação dos vasos sanguíneos e a queda da pressão arterial. É o que pode acontecer quando a pessoa se levanta rapidamente e sente fraqueza, escurecimento da visão ou sensação de desmaio. “O clima pode funcionar como um gatilho, mas não deve ser considerado automaticamente a causa de toda tontura ou zumbido. Quando os episódios se repetem, é preciso entender o que está por trás deles”, alerta o médico.
Quando o zumbido também aparece
Tontura e zumbido podem ocorrer juntos porque as estruturas responsáveis pela audição e pelo equilíbrio estão muito próximas do ouvido interno. A associação pode aparecer em condições como doença de Ménière, enxaqueca vestibular, inflamações do ouvido interno, efeitos de determinados medicamentos e perda auditiva súbita.
Algumas características exigem atenção especial. Zumbido persistente em apenas um ouvido ou aquele que pulsa no mesmo ritmo dos batimentos cardíacos precisa ser investigado. A combinação de zumbido, tontura e perda súbita de audição, por sua vez, é considerada uma urgência otorrinolaringológica. “Não se deve esperar vários dias para ver se a audição volta espontaneamente, porque alguns tratamentos apresentam melhores resultados quando iniciados precocemente”, destaca Dr. Marcio.
Hábitos cotidianos também podem interferir nos sintomas. Excesso de sal pode ser um gatilho para pessoas com doença de Ménière, enquanto álcool, pouca hidratação, longos períodos em jejum, noites mal dormidas e estresse persistente podem favorecer ou tornar as crises mais perceptíveis. O consumo excessivo de cafeína e energéticos também pode contribuir para palpitações, ansiedade, alterações no sono e enxaqueca em pessoas sensíveis.
Para o especialista, o principal cuidado é evitar tratar repetidamente o sintoma sem investigar sua origem. “Muitas pessoas tomam medicamentos por conta própria e esperam a crise passar. Investigar precocemente não significa que exista necessariamente uma doença grave, mas aumenta a possibilidade de identificar causas tratáveis e evita que sinais importantes sejam ignorados”, conclui.