Eles falam inglês, mas não estão falando a mesma língua. Como resposta direta ao tarifaço de 50% que Washington impôs a Ottawa no último fim de semana, o Canadá anunciou tarifas retaliatórias sobre cerca de 700 produtos dos Estados Unidos.
Um dia antes do anúncio canadense, Trump já tinha avisado que iria dobrar as tarifas sobre carros, caminhões, autopeças e aço do Canadá a partir de 2027 — cobrindo praticamente toda a indústria automotiva do país.
Por que isso importa? A escalada atinge diretamente a relação econômica entre os dois vizinhos. Isso porque os EUA são atualmente o maior parceiro comercial do Canadá, comprando cerca de 70% de tudo o que o país exporta.
Para aplicar as tarifas, Trump recorreu pela primeira vez na história à uma Lei Tarifária de 1930, que permite ao presidente tarifar qualquer país que retaliar os EUA. A aplicação da lei foi possível porque o Canadá decretou “Estado de Guerra Comercial” ao país na sexta-feira.
E por falar em tarifas…
O Brasil e os Estados Unidos marcaram uma nova rodada de negociações para a próxima segunda-feira. A reunião marca a retomada do diálogo sobre as tarifas americanas contra produtos brasileiros.
A prioridade do governo brasileiro é ampliar a lista de produtos isentos do tarifaço. Desde que as tarifas foram anunciadas, o Brasil já fez mais de 30 contatos com autoridades dos EUA em diferentes níveis, sem resultar em um acordo definitivo.
A retomada foi destravada por uma ligação de cerca de 1h20 entre Lula e Trump na semana passada. Segundo o Planalto, Lula defendeu que as medidas prejudicam as duas economias, e Trump concordou em reativar as negociações técnicas.