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Da bananeira para as passarelas de Milão

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Da bananeira para as passarelas de Milão
As peças foram desenvolvidas durante as oficinas do projeto “Museu da Banana: valorização da bananicultura além do campo” e integram o trabalho do Coletivo Fibra Flor. O desfile está programado para o dia 22 de setembro de 2026, às 14h, e será seguid

Bolsas produzidas artesanalmente em Corupá, a partir de fibras que seriam descartadas no campo, foram selecionadas para um evento internacional de moda sustentável. As peças unem criatividade, consciência ambiental e a identidade cultural da Capital Catarinense da Banana.


O que antes era considerado um resíduo da bananicultura será apresentado em uma das principais capitais da moda mundial. Duas bolsas produzidas artesanalmente em Corupá, com fibras extraídas do pseudocaule da bananeira, foram selecionadas para participar do Brazilian Sustainable Fashion in Milan, evento que será realizado em setembro, na Itália.


As peças foram desenvolvidas durante as oficinas do projeto “Museu da Banana: valorização da bananicultura além do campo” e integram o trabalho do Coletivo Fibra Flor. O desfile está programado para o dia 22 de setembro de 2026, às 14h, e será seguido por um showroom nos dias 23 e 24.



A participação representa uma conquista para o artesanato, a cultura e a economia criativa de Corupá. Mais do que acessórios de moda, as bolsas carregam conhecimentos transmitidos entre gerações, a história da bananicultura local e uma nova perspectiva sobre o aproveitamento dos recursos disponíveis no campo.


Ao chegarem a Milão, elas também levarão consigo o nome de Corupá, do Coletivo Fibra Flor e do Museu da Banana, apresentando ao mercado internacional uma produção artesanal que combina identidade, propósito e sustentabilidade.


Uma conexão entre Santa Catarina e Milão


A participação no evento internacional surgiu por meio de uma parceria com a Pacoa, marca catarinense de calçados sustentáveis.


A empresa foi convidada pela Celeste, marca de moda praia consciente, para compor os desfiles exclusivos e os showrooms realizados na capital italiana. A Celeste está entre as dez marcas brasileiras selecionadas pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do programa Texbrasil.



Foi dentro dessa rede de colaboração que as bolsas produzidas em Corupá conquistaram espaço no evento. A parceria demonstra como diferentes segmentos da moda podem se unir em torno de uma proposta comum, conectando vestuário, calçados e acessórios desenvolvidos a partir de matérias-primas e processos mais conscientes.


Para a designer de moda e artesã Fabiana Bertoldi, participar de um evento internacional representa o reconhecimento de um trabalho construído coletivamente.


“Trabalhar com a fibra de bananeira e conectar o nosso artesanato a marcas de moda praia e calçados sustentáveis, como a Celeste e a Pacoa, foi uma experiência transformadora. Levar as bolsas criadas nas oficinas de Corupá para um evento internacional em Milão demonstra que a moda circular brasileira tem sofisticação, propósito e espaço no mercado global”, destaca.


Do descarte à criação


Na bananicultura tradicional, o pseudocaule é a estrutura que sustenta a planta e permanece no campo depois da colheita do cacho. Frequentemente tratado como rejeito agrícola, esse material pode ganhar novas funções quando submetido aos processos adequados de preparação e extração.


Nas oficinas realizadas pelo projeto, os participantes aprendem que do pseudocaule da bananeira podem ser extraídos até cinco tipos diferentes de fibras. Cada uma apresenta características próprias de textura, resistência e aparência, possibilitando sua utilização na confecção de bolsas, cestos, peças decorativas e outros produtos artesanais.


O aproveitamento do material reduz o descarte e acrescenta valor a algo que já faz parte da paisagem e da atividade econômica do município. Dessa forma, a produção artesanal deixa de ser apenas uma atividade criativa e passa a integrar uma cadeia de economia circular, na qual os recursos permanecem em uso por mais tempo.


As oficinas gratuitas são realizadas na sala maker da Escola de Educação Básica Teresa Ramos. Durante as aulas, os participantes conhecem a história da bananicultura de Corupá e região, aprendem as técnicas de extração e preparação das fibras e desenvolvem peças autorais.


O processo também promove a valorização do patrimônio imaterial, pois preserva técnicas, conhecimentos e modos de fazer que não estão registrados somente em documentos, mas na experiência das pessoas que mantêm essas práticas vivas.


A mestra artesã e professora do curso, Elfi Minatti Mokwa, acompanha de perto essa transformação.


“É um orgulho imenso ver o trabalho das nossas mãos e a nossa história ganharem o mundo. Saber que a fibra que um dia foi descarte hoje carrega a identidade de Corupá e preserva o nosso ‘saber fazer’ é a maior recompensa de uma vida dedicada ao artesanato”, afirma.


Orquídeas como inspiração


A coleção desenvolvida nesta edição do projeto estabelece ainda uma conexão com outro importante símbolo de Corupá: as orquídeas.


As flores da região foram escolhidas como inspiração para o design das peças em homenagem ao Orquidário Alvim Seidel, considerado o segundo mais antigo do Brasil e que completou 120 anos de história e atividades.


A referência aproxima dois patrimônios locais. De um lado, a bananicultura, responsável por uma parte importante da identidade econômica e cultural do município. De outro, a tradição no cultivo de orquídeas, construída ao longo de mais de um século.


Essa combinação aparece nas formas, nos detalhes e nos elementos utilizados nas criações. Cada peça passa a representar não apenas o trabalho de quem a produziu, mas também diferentes capítulos da história de Corupá.


Sete anos preservando a história da banana


A conquista internacional acontece no mesmo período em que o Museu da Banana celebra seu sétimo aniversário.


A instituição foi criada em 21 de agosto de 2019 pelo Instituto Catarina Brasilis, data em que também é comemorado o Dia Municipal da Banana em Corupá.


Desde então, o museu atua com a missão de pesquisar, preservar e difundir o patrimônio histórico relacionado à bananicultura, reunindo cultivo, memória, arte, gastronomia e conhecimentos tradicionais.


Mesmo sem possuir uma sede física, o Museu da Banana desenvolve atividades itinerantes e projetos integrados à comunidade. O trabalho segue os princípios da Museologia Social, abordagem que compreende o museu não apenas como um edifício destinado à guarda de objetos, mas como um instrumento de participação, pertencimento e preservação das memórias coletivas.


Entre as ações desenvolvidas estão o registro de histórias orais, a valorização do patrimônio imaterial, a realização de oficinas, atividades culturais e iniciativas voltadas à aproximação entre diferentes gerações.


Para Roseli Siewert, presidente do Instituto Catarina Brasilis, mantenedor do Museu da Banana, o trabalho da instituição também representa uma forma de reconhecer quem ajudou a construir a história do município.


“Manter o Museu da Banana em movimento é honrar o trabalho de gerações de agricultores e artesãos de Corupá. Nosso trabalho é garantir que a nossa identidade cultural seja valorizada e continue gerando orgulho, inovação e desenvolvimento sustentável para toda a região”, ressalta.


Tradição que se transforma


A presença das bolsas em Milão mostra que uma tradição local não precisa permanecer presa ao passado. Quando conhecimento, design e consciência ambiental caminham juntos, uma matéria-prima ligada ao cotidiano rural pode ganhar novas formas, alcançar novos públicos e circular por outros territórios.


Da plantação às oficinas, das mãos das artesãs às passarelas internacionais, a fibra da bananeira percorre um caminho que representa a própria capacidade de transformação de Corupá.


Em cada bolsa estarão presentes a história dos agricultores, o conhecimento das artesãs, a criatividade dos participantes e a atuação de uma comunidade que encontrou novas maneiras de preservar e compartilhar sua identidade.


Mais do que chegar a Milão, as peças produzidas em Corupá mostram ao mundo que sustentabilidade, cultura e sofisticação podem nascer de onde muitas pessoas enxergavam apenas descarte.


Sobre o projeto


O projeto “Museu da Banana: valorização da bananicultura além do campo” foi aprovado pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, e é realizado pelo Instituto Catarina Brasilis.


Conta com o apoio da Escola de Educação Básica Teresa Ramos, da Prefeitura Municipal de Corupá e da Secretaria de Estado do Turismo de Santa Catarina.


Patrocínio máster: Supermercado Mees.


Patrocínio: BRDE, Buschle & Lepper, DR Aromas & Ingredientes, Eletropoll e Lunelli.


Mais informações: @museudabanana | www.museudabanana.com.br

Redação Revista Nossa

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