A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs abrir caminho para o Canadá se tornar o primeiro "membro associado" da UE — um status que hoje não existe nos tratados do bloco e será criado do zero.
Na prática, a ideia é dar ao Canadá acesso mais profundo a políticas e mercados da UE (comércio, defesa, minerais críticos) mas sem cadeira no Parlamento Europeu e sem precisar adotar todas as leis.
Por que importa: Essa é a resposta mais concreta do Canadá até agora ao afastamento que o país tem tido dos EUA. Recentemente, Donald Trump iniciou uma guerra tarifária e também já falou em transformar o país vizinho no "51º estado" americano.
Além de terem uma boa relação comercial, Von der Leyen já disse que UE e Canadá possuem visões de mundo próximas em diversos temas, como AI. Para se ter ideia desse entrosamento, o comércio UE-Canadá em bens e serviços somou +€130 bi em 2025.
As duas partes têm uma cúpula marcada para o mês que vem, em Montreal. Caberá aos 27 países-membros da UE decidir, cada um individualmente, se topam avançar com a proposta — o que pode levar anos.
Zoom out: A ideia não é inédita. Em maio, o chanceler alemão Friedrich Merz já havia sugerido que a Ucrânia virasse um "membro associado". Em junho, o presidente da Finlândia defendeu uma UE de até 40 países, citando Canadá, Reino Unido, Turquia e Noruega como candidatos.