A advogada Fernanda Klitzke, candidata a segunda suplente ao Senado na chapa de Décio Lima (PT), foi envolvida em uma ocorrência com a Polícia Militar na noite de sábado (12), em Jaraguá do Sul. Vídeos que circulam nas redes sociais registraram o momento em que a advogada é derrubada e atingida por agentes durante a abordagem, incluindo disparos de balas de borracha.
Segundo Fernanda, ela esteve no local para acompanhar um motorista envolvido na ocorrência e se apresentou aos policiais como advogada. A partir daquele momento, afirma ter sido imobilizada e agredida. Após passar pela delegacia junto com outros envolvidos, ela foi liberada e posteriormente precisou de atendimento médico.
Em entrevista concedida neste domingo (13), Fernanda afirmou que ficou emocionalmente abalada com o episódio e negou ter reagido à abordagem policial. Segundo ela, durante a ação pediu diversas vezes que os envolvidos mantivessem a calma e que a situação pudesse ser resolvida por meio do diálogo.
A advogada relatou ainda que teria sido submetida a um golpe conhecido como “mata-leão” e, posteriormente, derrubada no chão. Na sequência, afirmou ter sido atingida por pelo menos três disparos de bala de borracha. Fernanda também declarou que deixou claro aos policiais que era advogada e que, mesmo assim, acabou algemada e colocada em um camburão.
“Eu todo o tempo sempre pedi calma, pedi paciência, pedi para que a gente pudesse conversar”, relatou Fernanda durante a entrevista. Ela afirmou que pretende buscar as medidas necessárias para que os fatos sejam esclarecidos e investigados.
Como a ocorrência começou
De acordo com a Polícia Militar, a guarnição foi chamada por volta das 20h15 para atender uma ocorrência envolvendo perturbação do sossego e ameaça.
Conforme o relato apresentado à PM, uma moradora teria solicitado que fosse reduzido o volume do som de um veículo estacionado em frente à residência. Ela afirmou que o barulho estaria causando agitação em seu filho, que possui transtorno do espectro autista (TEA). Ainda segundo o registro policial, após ser questionado sobre o som, um homem teria adotado comportamento agressivo e avançado em direção à moradora.
Os policiais localizaram o homem indicado pela solicitante em uma residência próxima. Segundo a PM, durante a abordagem ele teria resistido às ordens da equipe e feito ofensas aos agentes, sendo então dada voz de prisão.
Ainda conforme a versão policial, durante a condução do homem, outras pessoas presentes no local teriam interferido fisicamente na ação. A corporação informou que duas mulheres participaram da intervenção e que, durante o episódio, uma policial militar sofreu uma lesão na mão, precisando posteriormente de atendimento médico.
Ao final da ocorrência, três pessoas foram encaminhadas à Delegacia de Polícia para os procedimentos necessários.
PM afirma que caso será investigado
Em nota, a Polícia Militar informou que o emprego da força durante a ocorrência será analisado pelos mecanismos internos de controle da corporação. Diante das circunstâncias registradas, a Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina deverá apurar o episódio e avaliar a atuação dos agentes envolvidos.
A corporação não informou, até o momento, se algum policial será afastado durante a investigação.
OAB acompanha o caso
A OAB de Jaraguá do Sul informou que acompanha a ocorrência desde os primeiros momentos e que está prestando apoio institucional à advogada, além de manter contato com o Sistema Estadual de Defesa das Prerrogativas da OAB/SC.
A entidade afirmou que eventuais excessos ou abusos cometidos por agentes públicos devem ser investigados e que as responsabilidades precisam ser individualizadas a partir da apuração dos fatos.
Ao mesmo tempo, a OAB destacou que conclusões antecipadas sobre qualquer um dos envolvidos não contribuem para o esclarecimento da situação e defendeu a observância do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.
PT cobra investigação
A presidência nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) também se manifestou sobre o episódio e classificou o caso como grave. Em nota, o partido afirmou que Fernanda teria sido agredida enquanto exercia sua atividade profissional como advogada e pediu uma investigação rápida e transparente.
A legenda também solicitou que seja esclarecido se houve algum tipo de motivação ou tratamento de natureza política durante a ocorrência.
TRE-SC acompanha os desdobramentos
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) informou que acompanha os acontecimentos registrados em Jaraguá do Sul e declarou confiar na apuração realizada pelas autoridades competentes.
Em manifestação, o tribunal reforçou a importância de um processo eleitoral seguro e pacífico, destacando o respeito aos direitos fundamentais, ao diálogo e às leis como princípios essenciais para o processo democrático.
Caso também repercutiu politicamente
O candidato ao Governo de Santa Catarina pela mesma coligação do PT, Gelson Merisio (PSB), informou ter acionado a Presidência do TRE-SC para solicitar providências e uma apuração urgente sobre o episódio.
Já o governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, comentou o caso em vídeo publicado na noite de domingo (13) e classificou o episódio como uma suposta “armadilha da esquerda contra a Polícia Militar de Santa Catarina”.
A ocorrência deverá ser investigada pela Corregedoria da PM, que terá a responsabilidade de esclarecer as circunstâncias da abordagem e avaliar a conduta dos agentes envolvidos.