A expressão "farmar aura" se transformou na principal gíria entre adolescentes e jovens nas redes sociais. Nascido da união entre o vocabulário dos jogos virtuais e as dinâmicas de convivência na internet, o termo descreve o esforço de uma pessoa para acumular pontos de estilo, carisma e presença diante dos outros.
Na prática, a engrenagem desse comportamento funciona de maneira simples e constante. Quando alguém protagoniza um momento considerado muito legal, demonstra extrema confiança ou realiza uma boa ação que atrai a admiração do público, diz-se que essa pessoa conseguiu somar pontos em sua reputação invisível. Por outro lado, passar por uma situação de vergonha ou agir de forma inadequada resulta na perda automática desses pontos de prestígio.
Para turbinar esse acúmulo de pontos na internet, os jovens passaram a usar de forma combinada a expressão "six seven". Falada em inglês para se referir aos números seis e sete, essa gíria estourou no Brasil após um vídeo viralizado no exterior de um adolescente comemorando uma jogada.
Logo em seguida, o áudio virou trilha de músicas de funk e desafios de dança focados no ambiente escolar. O termo funciona como um código rítmico acompanhado por um movimento de mãos para cima e para baixo.
Embora não tenha um significado lógico e objetivo, a expressão é usada para traduzir o ápice do estilo. Quando um jovem realiza um desfile perfeito, faz uma pose marcante ou simplesmente quer comemorar uma vitória pessoal, ele grita a expressão e faz a coreografia para sinalizar que alcançou o nível máximo de atitude.
O que começou como uma simples brincadeira em plataformas de vídeos curtos rompeu as barreiras das telas e está gerando eventos públicos em várias regiões brasileiras. No último fim de semana, o Largo de São Mateus, localizado na Zona Leste de São Paulo, virou palco do primeiro campeonato oficial dessa modalidade na capital paulista.
Centenas de jovens se reuniram em uma passarela improvisada ao ar livre para disputar quem tinha mais presença de palco. Os competidores se enfrentaram em duelos rápidos exibindo desfiles, caminhadas personalizadas, poses marcantes e gestos criativos regados à dancinha do "six seven" para conquistar os gritos e aplausos da plateia, sob a avaliação de influenciadores digitais e com direito a premiação em dinheiro.
Essa movimentação observada na capital paulista reflete um fenômeno que ganha força nacionalmente. Competições semelhantes vêm mobilizando praças públicas em cidades populosas do Norte e do Nordeste, a exemplo de Belém e Barcarena, no Pará, Juazeiro do Norte, no Ceará, e Teresina, no Piauí.
Na Grande São Paulo, o município de Suzano também registrou uma disputa que atraiu mais de duzentas pessoas a um parque municipal. O avanço dessas gírias e competições presenciais evidencia o poder das mídias digitais em moldar a linguagem cotidiana, os códigos de comportamento e as formas de entretenimento da nova geração fora do ambiente virtual.
Diante da rapidez com que a brincadeira tomou as ruas, o comportamento da garotada começou a chamar a atenção de pais e responsáveis, gerando reações mistas de curiosidade e preocupação. Muitas famílias relatam que inicialmente ficaram confusas com os diálogos dos filhos, mas passaram a enxergar os eventos públicos como uma alternativa saudável para tirar os adolescentes de dentro de casa e desconectá-los das telas por algumas horas.
Por outro lado, psicólogos apontam que o uso dessas expressões serve como uma espécie de termômetro emocional para os jovens. De acordo com analistas do comportamento, essa pontuação simbólica funciona na prática como uma métrica de autoestima, ajudando o adolescente a tatear sua necessidade de pertencimento, aceitação e validação social dentro do grupo.