Durante as férias escolares, é comum que crianças e adolescentes passem mais tempo em casa e, consequentemente, aumentem o uso de celulares, tablets, videogames e redes sociais. Esse comportamento pode se tornar ainda mais evidente após a entrada em vigor da lei que, desde 2025, proibiu o uso de celulares nas escolas brasileiras, exceto para fins pedagógicos devidamente autorizados. Embora a tecnologia faça parte da rotina e ofereça inúmeras oportunidades de aprendizado, criatividade e entretenimento, o excesso de exposição às telas pode trazer impactos para a saúde mental, a qualidade do sono e o desenvolvimento social de crianças e adolescentes.
Segundo Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, o desafio não está em eliminar a tecnologia da rotina, mas em garantir que ela seja utilizada de forma equilibrada, sem substituir outras experiências importantes para o desenvolvimento.
"O problema surge quando as telas passam a ocupar parte importante do tempo livre. O excesso de exposição pode aumentar a ansiedade, a irritação e a dificuldade de concentração, especialmente quando o consumo é baseado em vídeos curtos e estímulos muito rápidos", explica o especialista. Além disso, ele destaca que o uso de celulares e tablets próximo ao horário de dormir pode prejudicar a qualidade do sono, dificultando o relaxamento e reduzindo o tempo de descanso adequado.
Outro ponto de atenção é o desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Na avaliação de Haony, quando as experiências presenciais são substituídas por interações exclusivamente virtuais, crianças e adolescentes deixam de exercitar competências importantes para a vida. "Brincar, conversar, praticar esportes e conviver com amigos e familiares são atividades fundamentais para o desenvolvimento da empatia, da comunicação e das habilidades socioemocionais. O desafio não é eliminar as telas, mas garantir que elas não ocupem o espaço de outras experiências igualmente importantes", afirma.
Uso de telas sem excesso
Para ajudar pais e responsáveis a promoverem um uso mais saudável da tecnologia durante as férias, o especialista reuniu quatro orientações. Confira:
1. Construa combinados em conjunto
Uma das estratégias mais eficazes é estabelecer acordos com crianças e adolescentes, em vez de apenas impor regras. Quando participam da definição dos limites, eles compreendem melhor os motivos das decisões e tendem a respeitá-las com mais facilidade.
2. Organize uma rotina equilibrada
Definir horários para o uso das telas e reservar momentos para atividades como exercícios físicos, leitura, passeios e convivência familiar ajuda a criar uma rotina previsível e evita que os dispositivos ocupem todo o tempo livre.
3. Dê o exemplo e incentive o diálogo
Segundo Haony, o comportamento dos adultos influencia diretamente a relação dos jovens com a tecnologia. Por isso, além de equilibrar o próprio tempo de tela, os responsáveis devem conversar sobre os conteúdos consumidos pelos filhos, demonstrando interesse pelo que eles assistem, jogam e acompanham nas redes sociais. Quando há diálogo, os limites deixam de ser apenas regras e passam a ser construídos com base na confiança.
4. Transforme a tecnologia em uma ferramenta de aprendizagem
Durante as férias, a tecnologia pode ser utilizada para muito além do entretenimento. Crianças e adolescentes podem aprender programação, desenvolver jogos, produzir vídeos, explorar robótica, participar de desafios criativos ou realizar cursos sobre temas que despertem seu interesse.
Ao mesmo tempo, é importante diversificar as experiências fora das telas, incentivando atividades como prática de esportes, leitura, jogos de tabuleiro, projetos artísticos, passeios ao ar livre, experiências maker e momentos de convivência com amigos e familiares. "As férias são uma excelente oportunidade para mostrar que a diversão pode acontecer de muitas formas. Quanto mais variadas forem as experiências oferecidas aos jovens, maior será o equilíbrio entre o mundo digital e o mundo real, favorecendo um desenvolvimento mais saudável e completo", conclui Haony.