Recentemente, casos de pacientes que enfrentam graves complicações devido ao uso de preenchedores definitivos na face voltaram a ganhar relevância na mídia e nas redes sociais. São relatos de pessoas que realizaram procedimentos há 10, 15 ou até 20 anos, e que hoje sofrem com episódios de inchaço crônico, deformidades, nódulos endurecidos e até riscos de necrose, o que acendeu um alerta na área da saúde estética e da cirurgia plástica.
O principal causador desse tipo de intercorrência tardia é o polimetilmetacrilato, popularmente conhecido como PMMA. Trata-se de um polímero sintético que foi amplamente utilizado no início dos anos 2000 em procedimentos de bioplastia, prometendo modificações definitivas e volumização facial a baixo custo e sem a necessidade de cirurgia imediata.
No entanto, por ser um material sintético que o corpo humano é incapaz de absorver ou degradar, ele costuma agir como um corpo estranho a longo prazo. O médico otorrinolaringologista e cirurgião Dr. Marcio Freitas explica detalhadamente de que modo o organismo reage de forma tardia a esse tipo de substância plástica. Segundo o profissional, "o PMMA, por ser um derivado do petróleo e não ser reabsorvido pelo organismo, forma como se fosse grânulos, causando um processo inflamatório crônico dentro do tecido. O que resta, é um material meio endurecido dentro dos tecidos, que pode comprimir vasos, deformar, e acarretar uma série de problemas”, aponta.
A jornada de pacientes que necessitam retirar o PMMA do rosto, especialmente de áreas expressivas e altamente vascularizadas, como o nariz, é um grande desafio para a medicina. Ao contrário dos produtos modernos e temporários, que se mantêm concentrados em uma área delimitada, o PMMA se infiltra, espalha-se e se funde intimamente aos músculos, à gordura e aos tecidos saudáveis do paciente.
Por isso, o médico explica que a cirurgia acaba sendo extremamente complexa. “O PMMA, quando colocado, não fica circunscrito a um tecido, o que torna muito difícil a remoção. Há riscos relativamente à necrose da pele e à destruição das cartilagens”, complementa o especialista.
Felizmente, a cirurgia plástica e os tratamentos estéticos evoluíram drasticamente. Hoje, o uso de plásticos injetáveis ou qualquer substância definitiva na face é fortemente desaconselhado pela comunidade científica internacional, dando lugar a soluções infinitamente mais seguras, previsíveis e totalmente compatíveis com o organismo. Aos que buscam realizar modificações estéticas ou estruturais na face e no nariz atualmente, existem materiais reabsorvíveis padrão-ouro recomendados.
"Hoje em dia, existem materiais que são reabsorvíveis, como o ácido hialurônico, que dura por um período. E ainda tem a vantagem de reverter o processo se for da vontade do paciente, aplicando uma enzima que se chama hialuronidase. Por exemplo, tive uma paciente que foi fazer blefaroplastia e ela havia colocado ácido hialurônico abaixo das pálpebras, anteriormente, com outro profissional. Isso ocasionou edema e deformou um pouco a face dela. Depois da aplicação da hialuronidase, removemos todo esse ácido hialurônico o resultado final foi fantástico", conta o Dr Marcio Freitas.
Diante desse cenário de transição da medicina estética, casos de complicações tardias servem como uma lição definitiva sobre a importância de priorizar a saúde a longo prazo em detrimento de soluções imediatistas ou promessas milagrosas de baixo custo. Para quem pretende planejar novas modificações estéticas na face e no nariz, a escolha por substâncias biocompatíveis e, acima de tudo, o amparo de um profissional qualificado e com sólida formação cirúrgica são os únicos caminhos possíveis para garantir um resultado harmonioso, previsível e sem riscos à integridade da saúde.