Falar sobre menstruação, mudanças no corpo e sentimentos ainda é desconfortável para muitas famílias. Em meio a dúvidas silenciosas, vergonha e desinformação, meninas crescem sem entender plenamente o próprio corpo e muitas mães não sabem como conversar sobre o tema.
Foi a partir dessa percepção que a fisioterapeuta pélvica, especialista em saúde pélvica feminina e escritora Berenice Shakti criou Cartas para Adelaine, obra composta por cards interativos que ajudam mães e filhas a desenvolverem conversas sobre puberdade, consentimento, autoestima, ciclos menstruais, desenvolvimento emocional e autocuidado de forma acolhedora.
Abaixo, reunimos cinco perguntas comuns entre adolescentes, com respostas leves que ajudam a transformar a menstruação em um assunto possível dentro de casa. Confira:
É normal sentir vergonha da menstruação?
Muitas meninas ainda associam a menstruação a algo “sujo” ou constrangedor, principalmente pela falta de diálogo. Segundo Berenice Shakti, o sangue menstrual não é um problema, mas um sinal de saúde e funcionamento do corpo.“Quando a menina entende o próprio ciclo sem medo ou culpa, ela aprende a cuidar do corpo com mais consciência e autoestima”, explica.
Por que meu humor muda tanto durante o ciclo?
Nem todos os dias serão iguais e isso é natural. O corpo feminino passa por oscilações hormonais que impactam emoções, energia e disposição.“Você não é estranha, você é cíclica”, diz uma das cartas. Aprender a observar esses sinais ajuda a adolescente a compreender melhor o próprio funcionamento emocional.
O que é menarca?
Menarca é o nome dado à primeira menstruação. Mais do que um evento físico, ela representa uma nova fase de desenvolvimento.A autora defende que esse momento deveria ser vivido com acolhimento, informação e menos medo. “A primeira menstruação não precisa ser traumática ou silenciosa”, afirma.
Meu corpo está mudando muito. Isso é normal?
Crescimento dos seios, surgimento de pelos, alterações emocionais e mudanças físicas fazem parte da puberdade.Segundo Berenice, cada corpo possui um ritmo único. Comparações constantes podem gerar insegurança e afastar meninas da construção de uma relação saudável com o próprio corpo.
É errado ter curiosidade sobre o próprio corpo?
Não! A curiosidade faz parte do desenvolvimento humano e conhecer o próprio corpo é uma forma de proteção e autocuidado.O problema, segundo a autora, acontece quando dúvidas são tratadas como pecado, vergonha ou proibição absoluta, fazendo adolescentes buscarem respostas em lugares inseguros.