A gigante dos aplicativos de transporte pegou o mercado de surpresa nesta quinta-feira (4) com um anúncio duro para seus quadros internos. A Uber iniciou um processo de demissão em massa que afeta diretamente 23% de toda a sua equipe de Recursos Humanos e recrutamento.
O movimento acendeu um alerta no mundo da tecnologia. O setor atingido é justamente o coração da empresa, responsável por cuidar dos funcionários atuais e de buscar novos talentos para o aplicativo. Embora o corte seja drástico na área de RH, a companhia informou que as demissões representam menos de 1% do número total de trabalhadores espalhados pelo mundo.
Entenda o que aconteceu
A decisão chegou aos trabalhadores por meio de um memorando interno. O CEO da empresa justificou que os cortes fazem parte de uma grande reestruturação na área chamada internamente de “Pessoas”. O objetivo oficial, segundo a chefia, é criar uma organização mais moderna, ágil e excelente em suas operações, maximizando o potencial da equipe que permanecerá empregada.
Para quem fica, o clima é de apreensão. A mensagem principal passada pela diretoria de assuntos corporativos é de que a empresa precisa ser mais “conectada”. No entanto, na prática, a busca por essa conexão trouxe um efeito colateral imediato para a rotina de quem estava acostumado a trabalhar de pijama: o fim da paz no home office.
Fim do trabalho 100% remoto
Um dos pontos que mais gerou burburinho interno foi a mudança nas regras de presença. Profissionais do setor de Recursos Humanos que tinham autorização oficial para trabalhar exclusivamente de casa foram avisados de que o benefício acabou.
A partir de agora, a ordem é retornar ao modelo híbrido. Isso significa que esses funcionários serão obrigados a bater ponto presencialmente no escritório pelo menos três dias por semana, mudando drasticamente a rotina e o planejamento financeiro de muitas famílias que haviam se adaptado ao trabalho à distância.
A sombra da Inteligência Artificial
Sempre que uma gigante da tecnologia anuncia cortes severos, a mesma pergunta surge: a Inteligência Artificial está roubando esses empregos?
A Uber se antecipou à polêmica e afirmou categoricamente que os cortes de hoje não têm qualquer relação com investimentos em Inteligência Artificial. A justificativa tenta acalmar os ânimos, mas o mercado observa a situação com desconfiança.
Recentemente, outras gigantes do Vale do Silício, como as empresas responsáveis pelo Facebook, Instagram e grandes bancos de dados, realizaram demissões brutais de funcionários de carne e osso ao mesmo tempo em que injetavam bilhões no desenvolvimento de cérebros artificiais.
Analistas e especialistas em mercado de trabalho apontam que a área de Recursos Humanos é, historicamente, uma das primeiras a encolher quando uma empresa decide pisar no freio das contratações ou automatizar processos de seleção de currículos.
O que muda agora no Brasil?
A operação brasileira do aplicativo é uma das mais importantes e lucrativas do mundo, o que gera grande expectativa sobre os desdobramentos locais dessa reestruturação.
Até o momento, a situação dos funcionários de Recursos Humanos que atuam nos escritórios brasileiros segue sob avaliação. A empresa ainda não confirmou oficialmente quantos trabalhadores nacionais foram ou serão afetados pela tesourada corporativa, mas o clima nos corredores é de espera e tensão.