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O modelo de gestão que colocou Jaraguá do Sul como referência no Brasil

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O modelo de gestão que colocou Jaraguá do Sul como referência no Brasil
Mesmo com autorização legal para mais nomeações, menos da metade dos cargos de confiança foi ocupada, reduzindo o inchaço político-administrativo e gerando economia

Nos últimos anos, Jaraguá do Sul passou a viver um divisor de águas. A cidade chamou a atenção de gestores públicos e lideranças políticas de todo o país ao demonstrar, na prática, que é possível governar com eficiência, planejamento e responsabilidade fiscal aos moldes da iniciativa privada.

Esse ponto de inflexão teve liderança clara: Antídio Aleixo Lunelli. Sua passagem pela Prefeitura reforçou uma constatação que ganhou força no debate público: boa gestão não depende apenas de vocação política, mas de preparo, método e experiência real na administração de recursos, pessoas e prioridades. Exige, acima de tudo, seriedade, coragem para decidir e compromisso com resultados.

Empresário com trajetória consolidada fora da política, Lunelli levou para a administração municipal uma lógica ainda pouco comum no setor público: a da gestão orientada por planejamento, metas claras, controle de gastos e foco em eficiência — conceitos que passaram a inspirar reflexões e práticas para além dos limites de Jaraguá do Sul. Lunelli cita que a virada de chave teve início ainda no governo de seu antecessor, Dieter Janssen. “O Dieter promoveu mudanças importantes, moralizou os processos, tirou a cidade das manchetes negativas. Depois, no nosso governo, pudemos focar em gestão e resultado”, lembra.

Mais do que um modelo local, tratou-se de uma experiência que dialogou com um movimento mais amplo de modernização da gestão pública, contribuindo para elevar o nível do debate sobre como governar melhor e entregar mais para a população.

A crise que abalou o Brasil

Lunelli governou Jaraguá do Sul entre 2017 e 2022. Ao assumir, encontrou um cenário delicado em função da crise financeira que abalou o Brasil durante o governo Dilma Rousseff.

A resposta veio ainda no primeiro ano, com o lançamento do Pacote de Equilíbrio Financeiro. O objetivo era cortar despesas desnecessárias, reorganizar o orçamento e evitar um colapso que colocaria em risco salários, saúde e educação.

As medidas foram duras, enfrentaram resistência e pressão política, mas foram mantidas. O resultado apareceu rapidamente: as contas foram estabilizadas ainda em 2017, os pagamentos colocados em dia e a saúde financeira do município recuperada. Depois disso, Jaraguá do Sul bateu recorde de obras em todos os setores.

Menos política, mais mérito

Ao contrário do confronto esperado e registrado no início do governo, a gestão de Lunelli apostou na valorização do servidor de carreira, com foco em mérito e desempenho. Nos primeiros 100 dias, uma reforma administrativa priorizou concursados, reduziu cargos comissionados e valorizou a produtividade.

Mesmo com autorização legal para mais nomeações, menos da metade dos cargos de confiança foi ocupada, reduzindo o inchaço político-administrativo e gerando economia.

Fazer mais com menos

A Prefeitura implantou o pregão eletrônico, com economia média de 30% nas compras públicas, centralizou frota e almoxarifado e digitalizou processos como alvarás e certidões. Cada real economizado passou a ser convertido em investimento direto na cidade.

Gestão orientada por dados

A consolidação do novo modelo veio com a criação da Sala de Inteligência e Gestão, reunindo dados em tempo real de todas as secretarias. A ferramenta trouxe mais transparência, agilidade e precisão às decisões.

“Passamos a ter dados em tempo real de tudo, até mesmo de cada real investido”, lembra Lunelli.

O modelo virou referência e passou a ser replicado por diversos outros municípios.

Resultados visíveis

Quando Lunelli assumiu a Prefeitura, em 2017, mais de 50% do orçamento municipal era consumido pela folha de pagamento. Ao final de sua gestão, o índice caiu para cerca de 35%, elevando a capacidade de investimento para 22%.

Foi nesse período que Jaraguá do Sul avançou com pavimentações em toda a cidade, novas pontes e obras estruturantes, como o Parque Via Verde, o Parque da Arena e o Parque da Inovação. Na educação, 100% das escolas foram reformadas, houve investimento em tecnologia avançada, formação de professores e inclusão.

Via Verde: símbolo da nova gestão

Mais do que uma avenida, a Via Verde tornou-se uma solução inteligente contra enchentes e um espaço de lazer e convivência. Em períodos de cheia, funciona como área de contenção do Rio Itapocu; no dia a dia, é sinônimo de qualidade de vida.

A experiência inspirou projetos semelhantes em outras cidades e resultou até em legislação estadual.

Um legado que permanece

Mais do que obras ou números, o principal legado de Antídio Lunelli é o modelo de gestão deixado para Jaraguá do Sul e que hoje inspira diversos outros municípios — baseado em dados, responsabilidade fiscal e foco em resultados.

Um modelo que atravessa governos porque não depende de ideologia, mas de método.

“Minha maior contribuição, construída com uma equipe comprometida e com servidores dedicados, foi mostrar que o dinheiro público pode gerar muito mais benefícios diretos à população quando é tratado com responsabilidade e gestão”, resume Lunelli.

Antídio Lunelli

Antídio Lunelli

Deputado estadual de Santa Catarina. Também sou colono, empresário e ex-prefeito de Jaraguá do Sul.

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