Levantamento do JDV mostra que as maiores diferenças nas eleições municipais desde os anos 1990 coincidem com períodos de alta aprovação administrativa — com destaque para 2020, quando Antídio Lunelli registrou a maior vantagem da série histórica
Um levantamento publicado pelo JDV ajuda a explicar uma característica recorrente da política jaraguaense: votações expressivas costumam estar associadas a gestões bem avaliadas.
Ao analisar as eleições municipais desde a década de 1990, o estudo mapeia as maiores diferenças percentuais entre o primeiro e o segundo colocado — um indicador que revela, mais do que desempenho eleitoral, o nível de aprovação dos governos ao longo do tempo.
No topo do ranking aparece a eleição de 2020, quando Antídio Lunelli foi reeleito prefeito de Jaraguá do Sul. Ele obteve 70,66% dos votos válidos, contra 29,34% do segundo colocado, abrindo uma diferença de 41,32%— a maior já registrada no município.
Outras vitórias com ampla vantagem
O levantamento do JDV mostra que outras eleições também registraram margens relevantes. Em 2024, Jair Franzner obteve 58,14% dos votos, contra 26,69% de Edson Junkes, uma diferença de 31,45 pontos percentuais.
Antes disso, em 2012, Dieter Janssen venceu Cecília Konell com vantagem de 20,36%.
Na outra ponta, a disputa mais apertada ocorreu em 1996, quando Geraldo Werninghaus venceu Ivo Konell por apenas 1,75 ponto percentual. Contudo, depois, a administração de Geraldo Werninghaus foi considerada uma das mais bem sucedidas da história.
O peso da gestão no resultado
Se os números mostram quando a vitória foi mais ou menos ampla, eles também levantam uma questão central: o que explica diferenças tão significativas?
No caso de 2020, o desempenho de Antídio Lunelli está diretamente associado à avaliação de sua gestão à frente da prefeitura, considerada um marco administrativo para o município e frequentemente citada como referência nacional.
Com um modelo baseado em controle de gastos, metas e acompanhamento de resultados, a administração adotou práticas típicas da iniciativa privada e priorizou eficiência na aplicação dos recursos públicos.
Na saúde, as entregas incluíram a reforma de todas as unidades, mutirões para reduzir filas de exames e cirurgias, ampliação do atendimento, contratação de médicos, apoio aos hospitais e atuação durante a pandemia.
Na educação, os avanços envolveram investimentos em tecnologia, melhorias na infraestrutura escolar, manutenção de baixos índices de evasão e ótimo desempenho em indicadores de qualidade.
Na infraestrutura, foram mais de 340 ruas pavimentadas, além da construção de pontes, criação de parques urbanos e obras de prevenção a enchentes, que impactaram diretamente a mobilidade e a qualidade de vida.
Na segurança, investimentos em tecnologia e apoio às forças policiais contribuíram para consolidar Jaraguá do Sul como uma das cidades mais seguras do país.
A gestão também ampliou a capacidade de investimento com recursos próprios — de praticamente zero para mais de 20% — além de avançar na desburocratização e no incentivo ao empreendedorismo, facilitando a abertura de empresas e estimulando a geração de empregos, o que resultou em um cenário econômico bastante favorável.