A Polícia Federal desenhou um cenário nada confortável para o senador Jaques Wagner (PT-BA). Segundo a investigação, o líder do governo no Senado teria atuado de forma constante e alinhada aos interesses do Banco Master, num empenho que, de acordo com os investigadores, foi muito além das atribuições de um simples parlamentar atento ao mercado financeiro.
O mais curioso é que Wagner nega qualquer relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro. O problema é que as mensagens encontradas pela PF contam uma história um pouco diferente. Em uma delas, o senador demonstra preocupação com os rumos da instituição, perguntando como andavam “as coisas do banco”. Para quem dizia não ter ligação, a curiosidade parecia bastante específica.
A investigação também aponta reuniões para tratar de temas que interessavam diretamente ao Master, como mudanças na cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Tudo coincidência, claro. Assim como é mera coincidência que a PF tenha identificado um padrão contínuo de atuação em favor do grupo financeiro justamente durante seu período de maior crescimento.
E como notícia ruim raramente vem sozinha, ainda há os questionamentos sobre a origem de dólares e euros apreendidos na operação. As justificativas apresentadas até agora parecem ter encontrado mais desconfiança do que aplausos. Afinal, quando o roteiro fica complicado demais, até os investigadores começam a desconfiar que o filme não é de ficção.