Há um instante raro em que a música deixa de ser apenas som e se torna travessia. Nesta sexta-feira (24), às 20h, o Grande Teatro da SCAR abre suas portas para esse percurso sensível: a abertura da temporada da Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul. Os ingressos são gratuitos e podem em ser retirados no site do Sympla (https://b09b.short.gy/ConcertoTriunfo)
À noite começa com “Alvamar”, uma obra que nasce da força imagética do som. Escrita originalmente para banda sinfônica e recriada com as cores da orquestra, ela se desenha como uma narrativa em três tempos, quase como se o público fosse conduzido por cenas.
Primeiro, o brilho: uma atmosfera festiva, pulsante, onde a percussão assume protagonismo e contagia. Depois, o respiro: uma seção cantabile, elegante, em que a melodia se desloca entre os instrumentos como quem conta uma história em diferentes vozes.
Por fim, o retorno — mais intenso, mais virtuosístico — onde cordas, madeiras e percussão se entrelaçam em variações rápidas e desafiadoras, criando uma textura vibrante e envolvente.
“Ela apresenta ideias musicais muito claras, que orientam a minha interpretação”, destaca o maestro Jorge Scheffer. “Esse contorno entre melodia, harmonia e ritmo evidencia uma energia contagiante que o público vai se encantar.”
Na sequência, o palco se transforma para receber uma das obras mais emblemáticas de todos os tempos: a Quinta Sinfonia de Ludwig van Beethoven. Mais do que conhecida, ela é reconhecida — quase instintivamente — por seu motivo inicial de quatro notas, que atravessa a obra inteira como uma assinatura viva.
“A quinta sinfonia é uma obra imortal, que beira o extraordinário”, afirma o maestro. “Beethoven, com um motivo extremamente simples, nos trouxe em sinfonia uma catedral de sentimentos e emoções.”
A partir desse núcleo, a música se expande em múltiplas camadas — harmônicas, rítmicas e melódicas — que se sobrepõem e dialogam. É nesse tecido complexo que reside um dos maiores desafios da interpretação.
“A grande função do maestro e dos músicos é encontrar o equilíbrio”, explica Scheffer. “Por vezes temos cinco, seis camadas diferentes entre progressões harmônicas, rítmicas e melódicas. Encontrar o trabalho de construção dessa interpretação passa pela compreensão coletiva sobre a hierarquia das texturas e planos sonoros."
E energia não falta. O motivo inicial retorna ao longo dos quatro movimentos, sempre transformado — ora sutil, ora explosivo. Nunca previsível. Até que, sem pausa, a música constrói uma das transições mais marcantes da história sinfônica: do terceiro para o quarto movimento, uma ponte contínua que conduz da tensão à luz.
“Não há interrupção e sim uma ponte imaginária onde você trafega da sombra para a luz, com base em sons. Foi a primeira vez, em uma sinfonia, que essa junção entre movimentos aconteceu", destaca Scheffer.
Mais do que um concerto, a noite se anuncia como uma experiência. Um encontro entre a força estruturante da grande tradição sinfônica e a vitalidade expressiva de uma orquestra em movimento.
“Esperamos que o público receba esse início de temporada com muito brilho, alegria e energia. Uma música que representa o espírito da nossa orquestra", finaliza o maestro.
O concerto Triunfo da Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul é realizado por meio da Lei Rouanet e do Governo Federal, e conta com o patrocínio das empresas WEG, Havan, DR Aromas & Ingredientes, Grupo Flexível, Martinelli Advogados, Thermo Star, Warren Investimentos e Posto Náutico Farol.