Em Ourilândia do Norte (PA), Ilcicléia Alves Veloso, conhecida como Léia, ex-priemira dama da cidade, foi baleada na cabeça pelo ex-marido, Romildo Veloso e Silva (médico, vereador e ex-prefeito por 4 mandatos). O crime aconteceu exatamente no momento em que os dois estavam em um escritório de advocacia para assinar o divórcio e acertar a partilha de bens. Segundo o boletim de ocorrência, o ex-prefeito pediu para conversar a sós com Léia. Assim que o advogado saiu da sala, ele efetuou os disparos contra ela e, em seguida, tirou a própria vida. O casal estava separado há cerca de três meses e tinha dois filhos adolescentes. Léia foi socorrida, mas não resistiu.

O momento da separação oficial — a assinatura do divórcio, a partilha, a saída de casa — é o período em que o sentimento de posse do agressor é mais gravemente contrariado. É quando o controle definitivo se perde, e o risco de violência letal ou tentativa de feminicídio aumenta drasticamente.
Casos como o de Léia nos mostram que a violência doméstica não escolhe classe social, profissão ou status político.