A indústria de Santa Catarina iniciou o ano em retração. Nos dois primeiros meses, a produção caiu 6,2% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Os recuos mais expressivos foram registrados nos setores de automóveis, reboques e carrocerias (-20,4%), móveis (-22,6%) e máquinas e equipamentos (-16,5%).
Entre os 14 segmentos analisados, apenas dois apresentaram crescimento no bimestre, conforme levantamento do Observatório Fiesc: a indústria de alimentos, com alta de 1,4%, e a de produtos de borracha e plástico, que avançou 0,4%.
De acordo com o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, o desempenho negativo está ligado a fatores como a instabilidade do cenário internacional, a base de comparação elevada antes do tarifaço e a restrição no crédito.
Apesar do resultado acumulado negativo, fevereiro trouxe um leve sinal de recuperação na comparação com janeiro, com crescimento de 1% na série com ajuste sazonal. Ainda assim, frente a fevereiro de 2025, houve queda de 5,9%.
No comparativo mensal, oito dos 14 setores pesquisados registraram avanço. Destaque para máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+8,6%), máquinas e equipamentos (+5%) e confecção de vestuário e acessórios (+3,8%).
Após liderar o crescimento industrial no país em 2024, com alta de 7,7%, a indústria catarinense desacelerou em 2025, quando cresceu 3,2%, impactada pelos juros elevados, pelo tarifaço dos Estados Unidos e pela redução da demanda chinesa. Em 2026, o setor ainda enfrenta uma base de comparação mais alta até julho, referente ao período anterior às mudanças no cenário externo.