A reforma tributária, um dos temas mais discutidos no ambiente empresarial, foi abordada por um ângulo diferente durante o Acelere Day, evento voltado ao desenvolvimento empresarial e à troca de estratégias de crescimento.
Convidado como palestrante, o advogado tributarista, contador e empresário Marcos Adriano Silva defendeu que o maior desafio não está, necessariamente, nas novas regras, mas na capacidade de adaptação das empresas. “O problema não é a reforma em si. O problema é o tempo de resposta. Quando as mudanças acontecem mais rápido do que as decisões, o negócio perde espaço”, afirmou.
Apesar do amplo acesso à informação, muitos empresários ainda não sabem como agir na prática. “Hoje, todo mundo já ouviu falar sobre reforma tributária, conhece os termos, acompanha conteúdos. Mas poucos sabem exatamente o que fazer nos próximos 30, 60 ou 90 dias dentro da empresa”, destacou.
Para ele, esse descompasso revela uma dificuldade maior no ambiente empresarial. “Não é sobre entender a regra, é sobre agir no momento certo. A reforma só escancara um problema que já existe: a tomada de decisão”, disse.
Durante a palestra, Marcos também chamou atenção para o avanço de empresas mais rápidas e adaptáveis, pontuando que alguns negócios estão perdendo mercado não por falta de produto ou cliente, mas por não acompanharem a velocidade das mudanças.
Ele ainda destacou a pressão crescente sobre as margens das empresas, cenário que exige uma gestão mais estratégica. Nesse contexto, reforçou que o tema tributário deve ser tratado como parte do planejamento do negócio. “Tributo não pode ser visto apenas como custo. Ele precisa ser usado como alavanca estratégica e diferencial competitivo”, disse.
O cenário de transição da reforma deve aumentar a complexidade nos próximos anos. Segundo Marcos Adriano, o país viverá um período em que dois sistemas tributários irão conviver, tornando o ambiente ainda mais desafiador para as empresas.
Diante disso, ele reforça que o momento exige ação. “Quem não se adaptar, não se antecipar e não entender os movimentos do mercado corre o risco de ficar para trás. A reforma, no fim, só escancara a necessidade de decisões mais rápidas, estratégicas e alinhadas com a realidade do negócio”, conclui.