NASCIDO PARA EMPREENDER
A história da Indústria Química Dipil é bem maior do que os 40 anos que a empresa completa em 2019. Essa é uma trajetória que já estava implícita em cada nova tentativa realizada pelo fundador Alberto Correia até se estabelecer no mercado. Ele conta à Revista Nossa um pouco dos desafios enfrentados nesse percurso.

Nascido em Blumenau, Alberto Correia se mudou ainda muito jovem para Curitiba, onde trabalhou numa verdureira. Daí para frente passou por diversos empregos e em todos eles demonstrava um talento inato para a liderança, indo rapidamente de empregado a chefe de seu setor. Ele desconfia ter nascido para ser empreendedor, e o histórico só confirma.
Voltou a morar em Blumenau aos 17 anos, retornando a Curitiba aos 21. Nessa época, tentou uma vaga para trabalhar de motorista no Canal 6. A falta de conhecimento sobre os percursos da cidade - indispensável ao cargo, fez com que o contratante decidisse por não aceitá-lo. No entanto, recebeu um convite para trabalhar como operador de vídeo no setor interno da emissora. Segundo ele, naquela época, como forma de valorizar a profissão de operador de vídeo, as emissoras davam preferência àqueles que já tinham prática na função ao invés de contratar para capacitar. Isso fazia com que faltassem operadores. E "a sorte" de Correia foi seu registro profissional anterior como chefe de cabine do Cine Busch, em Blumenau. A experiência na projeção de filmes motivou o convite para trabalhar no departamento técnico da televisão.
Mas o operador recém-chegado percebeu certa hostilidade por parte dos outros dois colegas de departamento, que tentavam excluí-lo da participação do trabalho. "Passaram duas semanas e eles não me deixaram colocar a mão na máquina, botar filme, nada", conta ele. Após uma conversa com o chefe, os colegas prometeram mudar a atitude, mas o que fizeram foi faltar ao trabalho no dia seguinte, deixando Correia sozinho com o serviço no departamento. A ausência dos funcionários mais experientes preocupou o chefe da televisão, que temia não conseguir colocar a emissora no ar naquele dia.
Correia assumiu então a responsabilidade, dizendo ao chefe que se conseguissem chamar um antigo operador da emissora para ensiná-lo alguns conceitos específicos, o canal iria ao ar no mesmo dia. Chefe e operador conseguiram o auxílio e a programação foi exibida normalmente. No dia seguinte ao ocorrido, os outros dois operadores pediram demissão, passando a trabalhar no Canal 12. Correia permaneceu no emprego, montou e capacitou uma nova equipe e no período de um ano já eram reconhecidos como o melhor departamento técnico entre as emissoras de Curitiba.
Um erro cometido durante o telejornal é uma de suas principais lembranças sobre o primeiro dia em que operou sozinho a programação. Responsável pela entrada dos slides e filmes exibidos durante o noticiário, ele recorda que o único slide que entrou de cabeça para baixo foi justamente a imagem do presidente da República. "Aquele tempo era o tempo do regime militar. Garrastazu Médici era o presidente. Eu não me esqueço até hoje", conta ele, ressaltando que rapidamente corrigiu o erro, numa época em que o trabalho na televisão era muito mais manual e improvisado.
A mudança dos tempos também é apontada por Correia quando fala sobre suas saídas de Kombi com o cinegrafista da emissora. Segundo ele, o furo de reportagem "tinha muito valor na televisão" e dependia de um trabalho atento nas ruas. Quando acontecia, o material era enviado ao canal e transmitido dentro de uma hora do ocorrido, diferente das facilidades proporcionadas pela tecnologia atual, com a qual muitos acontecimentos podem ser vistos em tempo real.
O departamento técnico chefiado por Correia ganhou tanto destaque que ele passou a ser disputado entre emissoras. Passou a trabalhar no Canal 12 devido a proposta de um melhor salário, sabendo que deixava uma equipe competente no antigo departamento. Chegou ao novo emprego como chefe dos dois inóspitos ex-colegas, que ele conta terem pedido demissão pela segunda vez. No entanto, ele não teve problemas em formar sua equipe e trabalhou no Canal 12 durante oito anos.

Início na indústria química
Correia dedicava quatro horas diárias ao trabalho na televisão, por isso passou a utilizar o segundo turno para trabalhar em uma empresa de produtos químicos que se instalara em frente à sua casa. Foi assim que começou a agregar seus primeiros conhecimentos sobre esse setor. E não demorou para que ele, também na indústria química, começasse a demonstrar sua característica de liderança. Ele se lembra que foi convidado a acompanhar o dono da empresa na compra de um Ford Galaxie - um carro considerado de luxo para a época, e no caminho ouviu do próprio dono que ele não devia estar trabalhando na parte interna da empresa. "Ele falou: 'você é um cara que gosta de conversar, você devia ser representante' e eu disse 'É isso que eu quero'", relata Correia.
Vestido de forma mais alinhada, foi trabalhar no dia seguinte tendo a promessa de que passaria ao cargo de representante comercial. No entanto, chegando à empresa, o chefe havia mudado de ideia e deu algumas desculpas para não liberá-lo dos serviços internos. Correia acredita que o chefe voltou atrás na ideia inicial com receio de prejudicar o próprio genro, que desempenhava a função de representante comercial.

Com a quebra do acordo, Correia decidiu no mesmo momento por se demitir. Pouco tempo depois, ele foi convidado a aplicar os conhecimentos que tinha adquirido na produção química no projeto de fundação de uma nova empresa. Como bom representante comercial, conseguiu fazer diversas vendas sob encomenda, ainda sem o produto em mãos. E com as encomendas iniciais garantiu o dinheiro necessário ao aluguel de um local para estabelecer o empreendimento. Logo o produto também começou a se consolidar no mercado e Correia precisou optar entre o trabalho com os produtos químicos e a televisão.
Optou pela função de revendedor, que à época lhe garantia mais do que o dobro de seu salário na TV. Mas um novo representante comercial foi contratado - para atuar na região do oeste paranaense, e passou a acumular mais vendas do que Correia. Então, apesar de toda a sua contribuição para o início e desenvolvimento da empresa, Correia se viu preterido pelo chefe, que chegou a lhe negar um adiantamento de salário num momento em que precisou.
Essa foi mais uma ocasião em que ele percebeu que tinha uma grande capacidade de iniciar projetos e que não estava recebendo o devido crédito por suas ideias. E tomou mais uma decisão corajosa, ao se demitir e começar a trabalhar por conta própria com o comércio de produtos químicos. Começou seu negócio trabalhando na própria casa, voltou também para o emprego no Canal 12 e juntou capital para em 1975 fundar a Correia Representações Comerciais Ltda.
Do comércio, passou à fabricação de produtos químicos com a fundação da Indústria Química Dipil, em 1979. A empresa fundada em Curitiba se mudou para Massaranduba em 1984, onde o trabalho de sucesso permitiu que a empresa se dedicasse a causas sociais. A Copa Dipil de Futsal Menor, por exemplo, é realizada anualmente e tem a participação de mais de mil crianças, vindas de várias cidades da região. O campeonato é uma forma de incentivo ao esporte e neste ano terá sua 16ª edição. Correia conta inclusive que alguns meninos que começaram na Copa Dipil hoje jogam profissionalmente.

A Dipil
A empresa se tornou referência no segmento de produtos saneantes domissanitários, insumos agrícolas, limpeza e conservação, tendo hoje mais de 60 itens em seu catálogo.
Alberto Correia considera que um dos pontos principais para alcançar o êxito de um empreendimento é enxergar os momentos de crise como oportunidades de crescimento, já que os momentos difíceis obrigam a abrir novos caminhos. Por isso um dos pontos fortes da Dipil é a constante inovação, que acompanha o rápido desenvolvimento tecnológico. "Qualquer empresa hoje tem que ter criatividade porque se ficar parada no tempo, fecha as portas", ele conclui.
Atualmente a Indústria Química Dipil tem 106 colaboradores diretos e 48 empresas de representação comercial, atendendo 100% do pais, com participação também no Mercosul. E a importância desse empreendimento para Massaranduba e região é incontestável. Como forma de homenagem, a rua na qual se localiza a indústria recebeu o nome de 'José Jesuíno Correia', pai de Alberto Correia. E a praça localizada ao lado da empresa recebeu o nome da mãe, 'Maria Correia'.
Serviço:
Indústria Química Dipil
Contatos: (47) 3379-1342 / dipil@dipil.com.br
Site: www.dipil.com.br
Rua José Jesuíno Correia, nº 1300 (Bairro Industrial Zeferino Kuklinski) - Massaranduba - SC