Sem registro profissional e tentando escapar da Justiça, o médico Neandro Schiefler, de 46 anos, foi finalmente capturado em São Paulo após meses foragido. Condenado a mais de 16 anos de prisão por abusar de pacientes e registrar os crimes, ele deixa para trás uma trajetória marcada por denúncias graves, omissões e um sistema que demorou a reagir.
O caso, que chocou Santa Catarina, expõe não apenas a brutalidade dos crimes, mas também uma sequência de alertas ignorados. Ainda em 2019, enquanto trabalhava normalmente em uma unidade de saúde em Itajaí, Schiefler já havia sido preso durante um plantão — e, mesmo assim, acabou liberado para responder em liberdade.
O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina chegou a agir, aplicando sanções e, posteriormente, cassando de forma definitiva o direito do médico exercer a profissão. Mas àquela altura, o estrago já estava feito — e as vítimas, marcadas.
A condenação veio apenas em outubro de 2025, quando a Justiça reconheceu os crimes de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. Ainda assim, ele conseguiu desaparecer, transformando-se em foragido até ser localizado por tecnologia de reconhecimento facial no litoral paulista.
A prisão encerra a fuga, mas não apaga as perguntas incômodas: como alguém sob investigação continuou atendendo? Quantas oportunidades foram perdidas até que a resposta fosse definitiva?
Mais do que um caso policial, a história escancara falhas, silêncio e um rastro de confiança quebrada — daqueles que deixam marcas muito além da sentença.