O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou por meio de um post na rede Truth Social que “uma civilização inteira morrerá nesta noite”. A publicação foi feita nesta terça-feira, 7, horas antes do prazo final dado por ele para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz.
Autoridades iranianas fizeram declarações onde mostram que Teerã não deve ceder e Trump disse que não quer “que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, e após isso, condenou o atual regime, que está no comando do país há 47 anos.
“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, afirmou o norte-americano.
Trump já havia dito que “o país inteiro pode ser eliminado em uma noite”, enquanto detalhava o resgate dos pilotos dos EUA que tiveram seu caça abatido no espaço aéreo iraniano.
O presidente dos EUA ainda reiterou a ameaça em uma entrevista ao canal de TV Fox News, alinhado ao republicano: 8 pm vai acontecer”, ele também teria dito por telefone a um repórter do canal, em relação ao horário-limite dado a Teerã para fechar um acordo. O horário é equivalente às 21h de Brasília e tem como referência as horas em Washington.
“Ele disse que, se chegarmos a esse ponto, haverá um ataque como nunca se viu antes. E ele mantém essa posição até o momento. Agora, ele disse que se as negociações avançarem hoje e houver algo concreto, isso pode mudar. Mas, neste momento, ele não quis apostar que isso vai ocorrer. Só disse que as negociações estão avançando com os planos que temos”, disse o repórter Brett Baier.
O prazo para que Teerã reabra o Estreito de Ormuz, dado por Trump, se encerra nesta terça às 21h, no horário de Brasília.
Irã não deve ceder e pede voluntários
Antes da publicação de Donald Trump, o Irã pediu na TV que sua população forme correntes humanas para proteger as usinas de energia do país. Juntamente com as pontes iranianas, as usinas são alvos de ameças por parte do presidente norte-americano.
Alireza Rahimi, que foi identificado pela televisão estatal iraniana como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, fez a convocação para “todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores” e justificou:
“As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”.
No passado, iranianos já formaram correntes humanas ao redor de instalações nucleares em momentos onde as tensões com o Ocidente estavam elevadas.
Nesta terça-feira, mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, já havia afirmado que milhões de iranianos estão “prontos para se sacrificar” pelo país.
“Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, afirmou o presidente por meio de uma publicação no X.
De acordo com Pezeshkian, esse número representa a quantidade de iranianos que responderam às campanhas da mídia estatal e de mensagens de texto que incentivavam as pessoas a se voluntariarem para lutar. Apesar disso, a população total do país é de mais de 90 milhões de pessoas.
Segundo a agência de notícias Associated Press, em Teerã, o clima é sombrio. Um jovem em uma cafeteria, falando em condição de anonimato, comentou como a situação estava se tornando cada vez mais desesperadora, com país agora enfrentando o risco de cortes de energia em larga escala.
“Sinto que estamos presos entre as lâminas de uma tesoura”, relatou.