Os Estados Unidos realizaram, no início de dezembro, o primeiro ataque militar conhecido em território venezuelano. A ação, conduzida pela CIA, envolveu o uso de drones que bombardearam instalações portuárias ligadas ao grupo criminoso Tren de Aragua, organização classificada por Washington como terrorista e associada ao tráfico internacional de drogas.
A operação só veio a público após o presidente Donald Trump comentar o episódio em entrevista à rádio WABC, na última sexta-feira. Segundo autoridades de segurança ouvidas pela imprensa americana, sob condição de anonimato, o alvo foi um cais utilizado pelo grupo para o embarque de entorpecentes.
Durante a entrevista, Trump afirmou que a explosão atingiu diretamente a área onde as drogas eram carregadas nos barcos. “Eles carregam os barcos com drogas. Nós atingimos os barcos e a área de operação. Aquilo simplesmente não existe mais”, declarou o presidente, ao relatar a ação.
De acordo com as informações divulgadas, não havia pessoas no local no momento do bombardeio. Ainda assim, o ataque representa uma escalada significativa nas tensões entre Estados Unidos e Venezuela, especialmente após Trump autorizar, em outubro, operações secretas da CIA no país sul-americano.
Nem a Casa Branca nem a agência de inteligência americana comentaram oficialmente o caso. O governo venezuelano também não se pronunciou de forma direta, mas o ministro do Interior, Diosdado Cabello, reagiu afirmando que o país vem sendo alvo de uma sequência de ações hostis por parte dos Estados Unidos.
Cabello classificou a postura americana como “loucura imperial” e citou episódios de ameaças, perseguições, ataques, roubos e até assassinatos atribuídos à política externa de Washington. As declarações refletem o clima de crescente tensão diplomática entre os dois países.
Relatórios de inteligência apontam que a CIA já vinha monitorando supostas estruturas de processamento e distribuição de drogas na Venezuela e na Colômbia. A ofensiva faz parte de uma estratégia que une dois alvos centrais da administração Trump: o combate ao Tren de Aragua e o aumento da pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
Até então, as ações dos EUA contra a Venezuela estavam restritas a operações em águas internacionais, como apreensão de embarcações suspeitas e bloqueio de petroleiros sob sanções. O ataque ao porto, porém, marca uma mudança clara na postura americana e abre um novo capítulo na relação entre os dois países.