A gigante da fotografia, que já reinou absoluta nas câmeras e filmes, está vivendo um drama: a Kodak avisou aos investidores que corre risco de fechar as portas. Motivo? Não tem grana suficiente para pagar uma dívida de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões). No comunicado, a empresa disse que essa situação “levanta sérias dúvidas” sobre a continuidade das operações e, como medida de emergência, vai suspender o pagamento do plano de aposentadoria para economizar caixa. O CEO, Jim Continenza, garante que a Kodak segue com seu plano de longo prazo e está confiante em pagar parte da dívida antes do prazo, além de tentar refinanciar o resto. Mas o mercado não comprou essa esperança: as ações despencaram mais de 25% no dia seguinte.

Do topo ao tombo
Fundada em 1892, a Kodak revolucionou a fotografia com o slogan “Você aperta o botão, nós fazemos o resto” e chegou a dominar 90% do mercado de filmes nos anos 70. Mas ironicamente, foi a própria invenção da câmera digital, em 1975, que iniciou o declínio. A empresa não soube transformar a inovação em lucro e acabou engolida pela concorrência. Em 2012, pediu falência com mais de US$ 6,7 bilhões em dívidas. Tentou dar a volta por cima em 2020, quando entrou no ramo farmacêutico, mas o fôlego durou pouco. Hoje, ainda fabrica filmes, produtos químicos e licencia sua marca, mas a pressão para evitar o colapso nunca foi tão grande.