A gigante suíça Nestlé surpreendeu o mercado nesta quinta-feira (16) ao anunciar um plano de reestruturação que prevê o corte de 16 mil empregos em diferentes países. O movimento ocorre em meio à queda nas vendas e a uma dança das cadeiras na alta cúpula da companhia. Segundo o novo presidente-executivo, Philipp Navratil, que assumiu o comando em setembro, a Nestlé precisa “se adaptar com mais agilidade às mudanças do mercado global” — o que, na prática, significa demissões em massa. Do total, 12 mil vagas serão extintas em áreas administrativas e 4 mil em setores produtivos e na cadeia de suprimentos. A meta é gerar uma economia anual de cerca de 1 bilhão de francos suíços até 2027 (quase o dobro do estimado anteriormente). O anúncio veio logo após um escândalo interno: o ex-CEO Laurent Freixe foi demitido depois que uma investigação confirmou um relacionamento com uma subordinada, violando o Código de Conduta da empresa. A funcionária teria sido promovida após o início do envolvimento, o que acendeu o alerta vermelho sobre ética corporativa e favoritismo. A crise ainda respingou no presidente do conselho, Paul Bulcke, que também anunciou sua saída. Resultado: além das demissões em massa, a Nestlé agora enfrenta instabilidade na liderança e desconfiança entre investidores. Resumo da ópera: a marca que “faz bem” anda precisando de um bom café… e talvez um banho de gestão.