No Sul do Brasil, uma pequena cidade catarinense chamada Pomerode tem chamado atenção internacional por parecer um pedaço da Europa transplantado para a América Latina. Com arquitetura preservada, tradições culturais vivas e paisagens bucólicas, o destino foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas como uma das melhores vilas turísticas do planeta — um título que reforça sua fama como a “mais alemã” do país.
O reconhecimento veio por meio do programa Best Tourism Villages, que avalia localidades do mundo inteiro com base em critérios como preservação cultural, sustentabilidade, qualidade de vida e desenvolvimento do turismo responsável. Entre centenas de concorrentes de diversos países, o roteiro brasileiro se destacou por manter costumes históricos ao mesmo tempo em que gera oportunidades econômicas para a população local.
O grande símbolo desse cenário europeu é a Rota do Enxaimel, onde ficam dezenas de casas centenárias construídas com a técnica trazida por imigrantes germânicos no século XIX. Nesse método, vigas de madeira encaixadas formam a estrutura das paredes, preenchidas com tijolos — um estilo típico do norte da Alemanha e raro fora do continente europeu.
Ao percorrer a região rural, o visitante encontra cerca de 50 construções históricas tombadas como patrimônio cultural, formando a maior concentração desse tipo de arquitetura fora da Alemanha.
Mais do que estética, o local preserva hábitos herdados dos colonizadores: culinária tradicional, idioma de origem pomerana ainda falado por moradores, festas típicas e produção artesanal. O turismo, portanto, não funciona apenas como atração visual — ele mantém viva a identidade cultural da comunidade.
A combinação entre história, autenticidade e cuidado ambiental explica por que o destino entrou para a lista mundial da ONU. O título valoriza lugares onde o turismo fortalece a economia sem descaracterizar a cultura, transformando a viagem em experiência, e não apenas em passeio.
Assim, a pequena cidade catarinense prova que não é preciso sair do Brasil para caminhar por ruas que lembram vilarejos europeus: basta cruzar o Vale do Itajaí para encontrar fachadas de madeira, jardins floridos e um cotidiano que atravessou gerações praticamente intacto.