A equipe do SAMU continuou o atendimento dentro da superintendência. Segundo a Polícia Federal, o custodiado será encaminhado a um hospital para avaliação e tratamento médico.
O episódio foi comunicado ao gabinete do ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF informou ainda que disponibilizará todos os registros em vídeo que mostram como os fatos ocorreram. Além disso, será aberto um procedimento interno para apurar detalhadamente o ocorrido nas instalações sob responsabilidade da corporação.
Investigação sobre rede de vigilância
Mourão foi preso nesta quarta-feira (4) durante a Operação Compliance Zero, que investiga um grupo ligado ao Banco Master. De acordo com o jornal O Globo, ele liderava uma estrutura informal chamada “A Turma”, usada para monitorar pessoas consideradas adversárias ou críticas ao grupo. A Polícia Federal afirma que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços, considerados ilícitos.
O inquérito indica que ele teria acessado bases de dados restritas de órgãos públicos usando credenciais de terceiros, incluindo sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e plataformas internacionais de segurança.
Suspeita de plano contra jornalista
Na decisão que autorizou a prisão de Mourão, do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros alvos da operação, o ministro André Mendonça apontou indícios de que Vorcaro teria discutido com Mourão a criação de um falso assalto para atingir o colunista Lauro Jardim, com o objetivo de “calar a voz da imprensa”. Vorcaro nega ter ameaçado jornalistas.
Defesa e audiência de custódia
A defesa de Mourão afirmou ter sido surpreendida pela informação sobre uma tentativa de suicídio. Um advogado foi enviado à sede da PF em Belo Horizonte para acompanhar a situação. Durante depoimento, Mourão exerceu o direito de permanecer em silêncio. Ele ainda passaria por audiência de custódia nesta quarta-feira.
Histórico de investigações
Desde 2021, Mourão responde a uma ação do Ministério Público de Minas Gerais por suspeita de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra a economia popular. Ele teria estruturado um esquema de pirâmide financeira entre 2018 e 2021, movimentando cerca de R$ 28 milhões em contas de empresas sob seu controle. Antes disso, atuava como agiota, segundo análise do setor de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais.
Contestação da defesa
No processo sobre as suspeitas financeiras, os advogados de Mourão contestam parte das provas, alegando que foram obtidas sem autorização judicial. A defesa aponta que o Coaf teria solicitado informações a instituições financeiras sem decisão judicial, o que, segundo eles, compromete a validade de parte das provas usadas na investigação.