Um mês após a captura de Nicolás Maduro, a Venezuela vive uma reviravolta sem precedentes. Na madrugada de 3 de janeiro, bombardeios atingiram Caracas e cidades próximas, tendo como alvos instalações militares estratégicas, como o quartel Fuerte Tiuna e a Base Aérea La Carlota. Horas depois, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a operação e anunciou a prisão do líder chavista.
Maduro foi detido junto com a esposa, Cilia Flores, retirado do país e levado a Nova York, onde ambos foram apresentados à Justiça americana sob acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e armas e conspiração. Eles negam as acusações. No mesmo dia, a então vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina.
Desde então, a pressão dos Estados Unidos provocou mudanças rápidas na política e na economia venezuelanas. O governo interino anunciou a reabertura do setor petrolífero ao capital estrangeiro, com a reforma da Lei de Hidrocarbonetos. A nova legislação permite que empresas internacionais atuem sem a obrigatoriedade de joint ventures com a estatal PDVSA, rompendo um modelo vigente há décadas. Paralelamente, Caracas retomou o envio de petróleo aos EUA.
No campo diplomático, a Casa Branca confirmou a reabertura da embaixada americana em Caracas, fechada desde 2019, e nomeou Laura Dogu como nova representante diplomática. Rodríguez também se reuniu com o diretor da CIA, John Ratcliffe, e com a enviada dos EUA, sinalizando uma reaproximação entre os países.
Outro ponto central foi a libertação de presos políticos. Desde 8 de janeiro, segundo a ONG Foro Penal, ao menos 344 pessoas foram soltas, embora o governo fale em mais de 600 libertações sem divulgar nomes. Ainda assim, a organização estima que 687 presos políticos permanecem detidos, incluindo 58 estrangeiros. A presidente interina também encaminhou ao Legislativo um pedido de anistia geral.
Em apenas um mês, a captura de Maduro desencadeou uma série de mudanças que redesenharam o cenário político, econômico e diplomático da Venezuela, colocando o país sob forte influência dos Estados Unidos e abrindo uma nova fase de transição ainda cercada de incertezas.